Duas frases...
Dele, o Lula:
– Esses anos, se não foram os melhores, fazem parte do melhor período
que este país viveu em muitos e muitos anos. Se formos analisar as
carências que ainda existem, as necessidades vitais de um povo na
maioria das vezes esquecido pelos governantes, vamos perceber que ainda
falta muito a fazer para garantir a esse povo a total conquista da
cidadania. Mas, se analisarmos o que foi feito, vamos perceber que
outros países não conseguiram, em trinta anos, fazer o que nos
conseguimos fazer em dez anos. Quebramos tabus e conceitos
preestabelecidos por alguns economistas, por alguns sociólogos, por
alguns historiadores. Algumas verdades foram por água abaixo. Primeiro,
provamos que era plenamente possível crescer distribuindo renda, que não
era preciso esperar crescer para distribuir. Segundo, provamos que era
possível aumentar salário sem inflação. Nos últimos 10 anos, os
trabalhadores organizados tiveram aumento real: o salário mínimo
aumentou quase 74% e a inflação esteve controlada. Terceiro, durante
essa década aumentamos o nosso comercio exterior e o nosso mercado
interno sem que isso resultasse em conflito. Diziam antes que não era
possível crescer concomitantemente mercado externo e mercado interno.
Esses foram alguns tabus que nós quebramos. E, ao mesmo tempo, fizemos
uma coisa que eu considero extremamente importante: provamos que pouco
dinheiro na mão de muitos é distribuição de renda e que muito dinheiro
na mão de poucos é concentração de renda.
Então é o seguinte: eu plantei um pé de jabuticaba. Se esse pé nascer
saudável, vai ter sempre alguém dizendo: ‘Mas, Lula, não está dando
jabuticaba, está demorando’. Se for cortar o pé e plantar outra coisa,
eu nunca vou ter jabuticaba. Então, eu tenho que acreditar que, se eu
adubar corretamente, aquele pé vai dar jabuticaba de qualidade. E eu
citava esses exemplos no governo… Soja tem que esperar 120 dias, o
feijão tem que esperar 90 dias. Não adianta ficar repisando, ‘faz uma
semana que eu plantei e não nasceu’. Tem que ter paciência. Eu acho que
eu fui o presidente que mais pronunciei a palavra ‘paciência’,
‘paciência’… Senão você fica louco. Tem gente na política que levanta de manhã, lê o jornal e quer dar
resposta ao jornal. E daí não faz outra coisa. Eu não fui eleito para
ficar o tempo todo dando resposta a jornal. Eu fui eleito para governar
um país. E isso me deu tranquilidade suficiente para ver que o programa
de governo ia ser cumprido.
texto completo da entrevista em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/lula-fala-sobre-mensalao.html

