Para encerrar o triste domingo da morte de dois ídolos do passado - Gilmar e De Sordi - campeões do mundo em 1958, vale reproduzir um trecho de editorial da Agência Carta Maior publicada hoje, dia em que o país rememora a renúncia de Jãnio Quadros em 1961 e um dia depois da recordação do suicídio de Vargas em 1954. São fatos e nomes do passado que, no entanto, nos dizem muito nos dias de hoje...
Cinquenta e nove anos depois do tiro que sacudiu o país e impôs o recuo do golpismo, o volume asfixiante do coro conservador ainda pode ser ouvido e aquilatado. Entre um agosto e outro, algumas peças do paiol midiático permanecem. Outras se juntaram à tradição. Os personagens se renovam, mas o método se repete. O jogral da condenação sumária sentencia a mesma intolerância em cada linha, título, nota, coluna, fotomontagens, capas, escaladas televisivas e radiofônicas. Troquem-se as letras que compõem o nome Vargas por ‘mensalão'. Ou Lula. Ou Dirceu. Ou Cuba...O preconceito beligerante que cerca um, equipara-se ao que esmagou o outro. O rastro comum remete à matriz udenista da suspeição e da condenação sumárias; das togas avessas às provas; e das sentenças indiferentes aos autos. O conjunto forma um fio de continuidade que atravessa a régua do tempo e conecta a luta progressista de 54 a do Brasil de 2013. Hoje, mais uma vez, o país enfrenta uma transição de ciclo histórico. Ela opõe, de um lado, a esperança no passo seguinte de um desenvolvimento calcado na emancipação social e econômica. E de outro, os interesses que consideram intolerável sincronizar esse passo com o anseio por equidade e justiça, mas, sobretudo, por uma efetiva redistribuição do poder na república.