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Paulo Moreira Leite
A proposta de convocar uma Assembleia Constituinte exclusiva para debater a reforma política é uma iniciativa que merece apoio.
A menos que se queira transformar os protestos de rua em animadas conversas de bar em que os garotos de hoje irão contar suas façanhas para filhos e netos, é útil achar um caminho para o país avançar de modo democrático, respeitando consensos e diferenças.
A proposta de Constituinte poder ser uma saída para uma situação de impasse que está longe de ter chegado ao fim.Estamos diante uma pré-insurreição que questiona várias mazelas do Estado brasileiro mas seu eixo crítico envolve o modo como o poder político é exercido no país.A corrupção, a baixa qualidade dos serviços públicos, as queixas e denúncias contra nossos políticos convergem para essa questão. Os anos recentes demonstram que o país, com um PIB médio, nunca precisou viver como se fosse uma nação pobre, incapaz de responder às necessidades da maioria de sua população, num miserável estado mínimo para fazer a alegria da economia de exploradores do Tesouro. Muita melhoria pode ser feita, uma parte até foi feita em anos recentes – mas é claro que há muito para fazer. É preciso, acima de tudo, ampliar políticas de bem-estar social, que são o principal cimento das democracias modernas.Para além do ambiente de baderna e das iniciativas de caráter golpista, a raiz legítima do descontentamento nasce daí, desse descompasso entre o que o país pode e aquilo que oferece a seus cidadãos e cidadãs.Temos, hoje, um sistema eleitoral que permite que o Estado brasileiro seja alugado pelo poder econômico privado, que financia políticos que irão retribuir seu apoio depois da vitória nas urnas. Em teoria, o próprio Congresso deveria aprovar reformas capazes de enfrentar essa situação. A experiência de tantas tentativas fracassadas em anos recentes mostra que isso não iria ocorrer.Seria uma grande ingenuidade imaginar que os mesmos políticos e os mesmos partidos comprometidos com esse sistema terão disposição para debater e aprovar mudanças que questionam suas fontes de poder. A rua pede mudança – e tem razão.Em 2006, quando terminou seu primeiro mandato, Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que se fizesse uma Constituinte nestes moldes.A resistência da oposição, que nunca teve interesse numa reforma política real, impediu que a proposta fosse em frente.A vantagem da Constituinte é que ela coloca o debate das mudanças no terreno da democracia, respeitando a norma de que todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido. Isso inclui a população que foi às ruas e dá a palavra ao conjunto da população brasileira.Ao trazer o debate para o terreno democrático, a Constituinte coloca em questão um velho costume do conservadorismo brasileiro, que adora realizar mudanças pelo alto.Pode-se apostar que a resistência mais dura a uma reforma consistente irá partir dos adversários do governo e dos setores mais conservadores da base aliada. Ainda que o PT tenha recebido imensos recursos do setor privado após a primeira vitória de Lula, em 2002, a oposição possui, historicamente, ligações mais sólidas com o empresariado que patrocina campanhas eleitorais.
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terça-feira, 25 de junho de 2013
Opinião
