Texto do Prof. Jessé Souza - No Facebook
Tá
vendo esse cartaz estúpido aí? Viu? Que bom. Algumas palavras do Prof.
Jessé Souza, um dos maiores estudiosos da desigualdade pra vocês
entenderem por que não me misturo com esse tipo de gente que empunha esse cartaz:
"Mas o que há de especificamente perverso nas classes dominantes
brasileiras que não existe nessas outras sociedades? É que no Brasil as
classes média e alta não apenas repetem a distorção da realidade que
permite perceber o privilégio herdado como se tivesse nascido do próprio
esforço, mas também "tiram onda" de que são generosas e críticas. Essa é
uma fraude que um republicano americano típico jamais faria. Como isso
se tornou possível? Ainda que poucos percebam, o mundo social não é
apenas dinheiro e o que o dinheiro compra. O mundo social é também
construído por ideias que lhe dão compreensibilidade e orientam o
comportamento prático das pessoas.(...)
Essa ideia absurda - afinal não existe corrupção no Estado que não seja estimulada por interesses do mercado - é hoje uma espécie de segunda pele dos brasileiros, muito especialmente nas classes médias. Por quê? Porque ela confere algo indispensável ao privilegiado que é a necessária "boa consciência" que essas classes precisam ao localizar em um "outro", que ninguém define, uma "elite abstrata" que pode ser todos e ninguém, a fonte de todo mal nacional e se eximir de toda a responsabilidade. Afinal, se todo o mal está no Estado corrupto então se pode continuar, com boa consciência e se achando uma pessoa muito legal, a explorar cotidianamente o trabalho mal pago das classes baixas, que poupa o tempo da classe média para que essa possa se dedicar a incorporar ainda mais capital cultural para reproduzir, em escala ampliada, seus próprios privilégios de classe. O fundamento do privilégio da classe média é, antes de tudo, o "conhecimento" valorizado - que exige tempo para ser apropriado - indispensável à reprodução de mercado e Estado. "
Essa ideia absurda - afinal não existe corrupção no Estado que não seja estimulada por interesses do mercado - é hoje uma espécie de segunda pele dos brasileiros, muito especialmente nas classes médias. Por quê? Porque ela confere algo indispensável ao privilegiado que é a necessária "boa consciência" que essas classes precisam ao localizar em um "outro", que ninguém define, uma "elite abstrata" que pode ser todos e ninguém, a fonte de todo mal nacional e se eximir de toda a responsabilidade. Afinal, se todo o mal está no Estado corrupto então se pode continuar, com boa consciência e se achando uma pessoa muito legal, a explorar cotidianamente o trabalho mal pago das classes baixas, que poupa o tempo da classe média para que essa possa se dedicar a incorporar ainda mais capital cultural para reproduzir, em escala ampliada, seus próprios privilégios de classe. O fundamento do privilégio da classe média é, antes de tudo, o "conhecimento" valorizado - que exige tempo para ser apropriado - indispensável à reprodução de mercado e Estado. "
