De Mauro Santayana no Jornal do Brasil
"A oposição venezuelana tem todo o
direito de lutar pelo poder. É natural
e desejável que haja alternância de
homens e de ideias no exercício dos governos. Cabe a Capriles, que
esteve tão
próximo da vitória, e a seus seguidores, esperar o próximo pleito e
disputar a Presidência dentro das regras vigentes. Nada a estranhar, em
um regime
democrático, como o da Venezuela, que, sob observação internacional, vem
realizando eleições periódicas. É provável que ele vença a disputa;
menos
provável é que os venezuelanos aceitem voltar ao que viveram antes de
Chávez.
Há, no entanto, sinais de que setores
da oposição querem aproveitar-se das dificuldades conjunturais do país, a fim
de desestabilizar o governo e criar crise social e política de tal gravidade
que conduza a um golpe. Tendo em vista exemplos históricos, uma das manobras
mais usuais é a de grandes atacadistas e supermercados sonegarem alimentos e
artigos
de consumo obrigatório, o que causa desassossego e a irritação dos mais
pobres. Dos mais pobres,
porque, em qualquer situação, os ricos não têm problemas. Quando lhes
falta o
mercado negro, não lhes falta a possibilidade de abastecer-se
diretamente no exterior. Se não houver sardinhas, contentam-se com
caviar. Provocar os pobres,
ao pôr a culpa no governo, é o que deseja a oposição."
