Falando sério...
Um dos mitos que mais se propaga no País em torno da economia está no questionamento dos gastos sociais com saneamento, saúde e educação e com a previdência. De considerar o Bolsa Família uma "esmola" a satanizar a previdência e seus "deficits" há de tudo no combate permanente de setorres conservadores contra as ações sociais de governo.
Já ficou mais que provado que o combate à miséria, as ações a favor do sanemaento e o valor do SUS como maior plano de saúde em atividade no mundo, por sua abrangência, é tão positivo quanto o fato de que a Previdência não é e nunca foi deficitária.
Esta última afirmativa leva em conta os "penduricalhos" colocados na conta da previdência - aposentadoria do setor rural; aposentadoria de funcionários públicos, auxilio reclusão; auxílio natalidade e outros quetais - para se afirmar sempre que a conta do setor não fecha.
Na verdade, a contribuição previdenciária é bastante no cálculo atuário, para pagar pensões e aposentadorias dos empregados da iniciativa privada. O que não dá é para sustentar esses penduricalhos que nunca são discutidos pelos que comentam o assunto.
Um artigo publicado hoje no site Luis Nassif Online tangencia essa concepção e mostra bem o caminho que o país vem trilhando de forma positiva para alcaçar a eliminação da miséria e da desigualdade.
Diz ele:
Da Agência USP de Notícias
Por Alicia Nascimento Aguiar, da Esalq em Piracicaba - alicia.esalq@usp.br
Publicado em 9/maio/2013
Os gastos em saúde e saneamento, tanto no âmbito federal quanto
municipal, foram os que tiveram maior efetividade para reduzir a pobreza
no Brasil nos últimos anos, revela pesquisa da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Em seguida,
aparecem os gastos com educação e cultura estaduais e os gastos com
previdência e assistência federal. O estudo foi realizado pela
economista Martha Hanae Hiromoto, para dissertação de mestrado pelo
Programa de Pós-Graduação (PPG) em Economia Aplicada, com orientação da
professora Ana Lúcia Kassouf, do Departamento de Economia, Administração
e Sociologia (LES) da Esalq.
A pesquisa analisou o efeito do gasto social das três esferas do
governo (federal, estadual e municipal) sobre a pobreza. Para isso,
foram utilizados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e
Secretaria do Tesouro Nacional e outros. A pobreza considerada no
trabalho limitou-se apenas a dimensão da insuficiência de renda. Assim,
foi adotada a linha de pobreza calculada pelo IPEA. “Os valores
estimados são diferentes para cada estado do país. Como referência, a
linha de pobreza calculada para a região metropolitana de São Paulo, em
2009, equivale a 0,48 salários mínimos”, afirma Martha.
O total de gasto social do governo somou cerca de R$ 800 bilhões em
2009, quase 28% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. ”Para análise
do efeito do gasto social por função orçamentária executada nas três
esferas do governo, selecionou-se o gasto social de acordo com sua
origem, considerando-se previdência e assistência, saúde e saneamento,
educação e cultura, trabalho, habitação e urbanismo e, nos casos dos
estados e municípios, incluiu-se investimento”, conta a economista.
As análises foram decompostas em duas partes – a primeira envolveu um
painel de dados estaduais de 20 anos (1987 a 2009). Depois, para
compreender melhor o efeito das despesas do governo estadual sobre a
redução da pobreza, acrescentou-se uma análise do efeito do gasto de
cada estado considerando suas características específicas e incluindo a
interação da binária de estado com o seu gasto per capita.
Adicionalmente, foram incluídos dados demográficos, de inflação e nível
de educação. Já a segunda apreciação foi baseada nos dados municipais
dos anos de 1991, 2000 e 2010.
Funções sociais
O estudo, que se baseou em
pesquisa bibliográfica de trabalhos realizados no Brasil e em outros
países como China e Índia, detalha que o total de recursos federais das
funções sociais selecionadas nesta análise cresceu de 4% em 1987 para
14% do PIB em 2009, totalizando R$ 432 bilhões. No mesmo período, o
volume das funções estaduais cresceu de 4% para 6% do PIB, chegando a R$
193 bilhões. Finalmente, o volume total das funções municipais
selecionadas em 2010 foi de R$ 212 bilhões (8% do PIB). “Pode-se, assim,
contribuir entendendo como focar gastos futuros ou mesmo buscar formas
de melhorar a efetividade de gastos em áreas que tem sido pouco
efetivas”, destaca Martha.
Os principais resultados demonstraram que gastos em saúde e
saneamento tanto no âmbito federal quanto municipal foram, entre os
analisados, os que tiveram maior efetividade para reduzir a pobreza. Em
seguida, aparecem os gastos com educação e cultura estaduais e os gastos
com previdência e assistência federal.
“Os gastos federais, quando analisados dados agregados, são os que
apresentam maior efetividade para a redução da pobreza. No entanto, o
gasto federal em previdência e assistência não se mostrou como o mais
efetivo”, ressalta Martha. “O gasto em previdência é mal focalizado a
medida em que grande parte de seu volume é destinado à aposentadoria do
setor público e não à parcela mais carente da população. como já foi
verificado em outros estudos”.
Outro dado importante, de acordo com a economista, é que as
características específicas de cada estado podem influenciar o efeito do
seu gasto social sobre a pobreza. “Estados mais prósperos tendem a ter
melhores resultados dos seus gastos sobre a pobreza que estados menos
prósperos. As melhores condições sócio-econômicas regionais contribuem
para melhorar o efeito dos gastos sociais sobre a queda da pobreza”,
conclui.
