Editorial do site da Agência Carta Maior, hoje, 8 de maio:
OMC: QUEM GANHOU E QUEM PERDEU?
Com
a oposição dos países ricos e a má vontade da mídia conservadora
brasileira, mas o apoio coeso das nações em desenvolvimento, o Brasil
conquistou o mais importante posto internacional de sua história:
a direção da Organização Mundial do Comércio. Não foi um ponto fora da
curva. A política externa independente do Itamaraty, adotada desde 2003,
firmou o país como liderança representativa das economias pobres e em
desenvolvimento.Com o apoio delas, o Brasil já havia vencido a eleição
para dirigir a FAO, em 2012. Um sinal minimizado por uns e desdenhado
por outros. Agora, tornou-se mais difícil ignorar a travessia em curso. O
candidato derrotado na OMC, o mexicano Herminio Blanco, foi um dos
arquitetos do Nafta. Alinhado ao pensamento neoliberal, representava os
interesses que jogar am o mundo na pior crise do capitalismo desde
1929. O êxito de Roberto Azevêdo na OMC representa também um trunfo
interno expressivo do governo Dilma: o dispositivo midiático
conservador torcia pela vitória de quem simbolizava, no
plano internacional, a coalizão de interesses locais que hoje buscam
restaurar a lógica dos anos 90 na economia, na política e na diplomacia
brasileira.
