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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Essa é muito boa...

Todos nós que estudamos História bem sabemos que a indicação do "descobrimento" do Brasil pelos portugueses nada mais é que a formalização burocrática da ocupação de território já conhecido dos europeus à época e bem delimitado pelo Tratado de Tordesilhas. Portugueses e espanhóis bem conheciam a existência de terras no nosso continente e coube a Cabral apenas formalizar a posse em nome D ´El Rey de Portugal daquilo que pela decisão do papa Alexandre Vi ratificada em Lisboa e Castela em 1494. 

Daí por diante várias expedições espanholas estiveram em viagem ao novo mundo, chamado Cipango e entre elas a bem conhecida e documentada viagem de Vicente Yañes Pinzon que aportou no norte do Brasil, mas acertadamente no ceará e não reivindicou a terra por temer infringir o tratado e cair nas iras do papa. 

Pois bem, a Presidente Dilma demonstrou conhecer a história e isso acabou gerando texto bastante curioso, bem escrito e gostoso de se ler no portal "Diário do Centro do Mundo" que mostra além disso o fato da má vontade e hostilidade da Casa Grande com a Presidente Dilma: 

Dilma foi apedrejada por conhecer história

Diario do Centro do Mundo 24 de julho de 2013
Ela sabia que espanhois estiveram no Brasil antes de Cabral e pagou o preço disso.
Dilma sabia o que seus detratores ignoravam
Dilma sabia o que seus detratores ignoravam
Lula disse, estes dias, que Dilma apanha da mídia ainda mais que ele.
É difícil discordar, mesmo considerando que Lula apanhou e apanha muito.
Um episódio recente é ilustrativo.
Numa visita ao Ceará, Dilma disse que o Brasil se iniciara ali.
Em alguns blogues conservadores, Dilma foi ridicularizada pelo alegado erro. Burra, ignorante, dois neurônios – a lista de insultos foi enorme.
Mas o fato é que ela estava muito mais equipada e informada que seus detratores.
Historiadores admitem, hoje, que antes de Cabral navegadores espanhois estiveram no Brasil.
Um deles era Vicente Yañez Pinzón.
Reproduzimos abaixo trechos de um bom artigo sobre este assunto publicado há poucos meses pela revista História e republicado pelo Guia do Estudante, ambos da Abril.
“Em 1498, para apressar a exploração do Novo Mundo, os soberanos espanhóis decidiram permitir que empreendedores particulares montassem viagens ao outro lado do Atlântico.
Ao saber da notícia, um navegante da cidade de Palos de la Frontera animou-se em organizar sua expedição.  (…)
Juntando seus recursos e alguns empréstimos, montou uma expedição com 4 caravelas e partiu para o Novo Mundo em novembro de 1499. Seu nome era Vicente Yañez Pinzón.

Pinzon chegou ao Brasil antes de Cabral
Pinzon chegou ao Brasil antes de Cabral

A pequena esquadra de Pinzón tornou-se a primeira expedição espanhola a cruzar a linha do Equador. (…) Meio perdidos, levados pelo vento e com a ajuda de uma tempestade, eles avistaram terra e desembarcaram no Brasil em 26 de janeiro.
(…) Historiadores defendem que o tal cabo fosse a Ponta de Mucuripe, em Fortaleza. Essa é uma das poucas controvérsias que existem acerca da viagem de Pinzón, pois sua existência e seus passos são muito bem registrados.”
Por saber o que seus detratores não sabiam, Dilma foi chamada de “anta”, “presidanta”, “dois neurônios” e por aí vai por aquela classe média tão bem descrita por Marilena Chauí.
É gente que não lê livros, não se ilustra, é dominada por preconceitos e é coberta por um maciço véu de ignorância.
Com todos estes atributos, enxergam nos outros o que eles próprios são.

As charges do dia...

Isso é o que se chama fé demais... 

de O Sentença.
S:

Reportagem da revista Isto É [ 19 de Julho de 2013 ]
http://www.istoe.com.br/reportagens/315089_O+ESQUEMA+QUE+SAIU+DOS+TRILHOS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage 
Oh! Que trabalheira... 


foto de Aprendiz de Cartunista.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tem cada uma...

A gente se depara na rede com coisas como esta que está circulando no Facebook: 

Bomba: Pres. da Federação dos Médicos tem 2 empregos públicos. E seria funcionário fantasma?

O Blog do Ailton publicou uma uma verdadeira bomba. O presidente da poderosa Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, opositor raivoso ao programa "Mais Médicos", é funcionário público federal no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal (RN), mas estaria ganhando sem trabalhar, semelhante aos médicos paulistas mostrados em reportagem do SBT.
O Dr. recebe salário por jornada de 60 hs semanais nos dois empregos públicos
Nosso blog apurou que ele tem outro emprego estadual, com jornada de 40 horas semanais, no hospital Monsehor Walfredo Gurgel, com salário de R$ 7.274,89.
Somados os dois empregos, já soma 60 horas semanais. Mesmo assim o doutor Geraldo Ferreira ainda consta como anestesiologia em um hospital privado, o Hospital Médico Cirúrgico HMC. Ele mesmo confirma estes cargos em seu perfil no slideshare.

Qual tal algum cidadão de Natal dar uma conferida no Hospital Walfredo Gurgel se o Dr. está lá agora? Afinal jornada de 40hs é horário integral.

Ailton diz em seu blog:

... Esse doutor, representante nacional dos médicos, é funcionário do Hospital Onofre Lopes, da UFRN, onde recebe um salariozinho de R$ 6.700,00, para uma jornada de 20 horas semanais, devendo prestar só um turno por dia, de segunda a sexta, como anestesista (Portal da Transparência).
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Mas há um pequeno problema: Geraldo Ferreira não coloca os pés ali há anos.
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Como é mesmo? Geraldo ganha sem trabalhar? É o que parece. Uma fonte do hospital me contou que criaram uma espécie de escala, mas o médico nunca é chamado.
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Pergunta que não quer calar: Onde anda o bravo Ministério Público Federal?
Em tempo:
Não vale argumentar que, por ser liderança sindical, estaria licenciado, pois a permissão neste caso é apenas para licença SEM REMUNERAÇÃO, conforme art. 92 da Lei Nº 8.112/1990:
Art. 92. É assegurado ao servidor o direito à licença sem remuneração para o desempenho de mandato em confederação, federação, associação de classe de âmbito nacional, sindicato representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da profissão

Anonymous, mas nem tanto...

Uma instituição de clara inspiração na tendência brasileira de agir como "macaquitos" imitando modismo no exterior, a tal Anonymous que ninguém sabe direito o que é e o que pretende, dela se sabe apenas ser braço de gente no estrangeiro, é das mais atuantes dos recentes protestos que desde junho tumultuam a vida no Brasil. 

Entre os absurdos pedidos pelo tal Anonymous é a deposição pelo protesto de alguns grupos que não passam de algu8mas centenas ou até milhares de pessoas de governantes eleitos por votos de milhões, numa inversão total de tudo que entendemos por democracia onde há mecanismos para se tirar os eleitos de sues cargos quando derrapam em suas funções.

                   COMPARTILHEM SEM DÓ!!!

 
Pois bem, esse tal Anonymous não dá um pio sequer sobre os escândalos envolvendo a Rede Globo de Televisão e o metroduto dos tucanos paulistas com a Siemens e Alstron... Nem um pio sequer.. 

É, no mínimo, estranha essa seletividade de clamor que mais parece inspirado nos porões sombrios de Langley, no estados Unidos, onde a CIA e a NSA urdem suas conspirações para enfraquecer e depor governos eleitos legitimamente. 

Emquanto isso, a maior que votou na presidente, nos governadores e em outros políticos - não importa se do PT, PMDB, PSDB, ex-comunistas, DEM et caterva - vê esse grupo se insurgir contra tais governantes num silêncio absurdo. O voto da maioria deixou de ter valor no9 Brasil e coloca em risco o futuro da democracia brasileira. 

E disso ninguém fala...

O neoliberalismo e a verdade...

André Araújo é um polêmico pensador que frequenta as páginas do Luís Nassif Online com análises bem fundamentadas e que sempre causam celeuma. 

Ele agora lança um livro que trata do neoliberalismo e suas opiniões e conclusão são impactantes e significativas. 

Por isso, a entrevista abaixo que saiu hoje no "Cliping" do LNO: 
 
Aprenda como funciona o império dos mercados

André Araújo
 A globalização em sua forma perversa. No neoliberalismo os mercados substituem os Estados, trazendo estagnação da economia, concentração de renda, miséria e exclusão social.

ANDRÉ ARAÚJO


Entrevista com o Autor

Pergunta: Qual é a tese central de seu novo livro sobre os mercados e a globalização?

André Araújo: Tento mostrar como o processo de substituição dos Estados pelos mercados levou os países em desenvolvimento a um impasse no crescimento, criando uma inédita estagnação da economia, concentração de renda, miséria e exclusão social.
 
Pergunta: Na sua visão, por que isso ocorreu e quando começou o processo?
André Araújo: Os vastos territórios fora do Grupo dos Sete compreendem 90% da população mundial. É da expansão do mercado financeiro para essas regiões que vêm o dinamismo e o bem estar das economias maduras, através das elevadas taxas de risco e da alta rentabilidade proporcionada pela manipulação das economias fragilizadas e carentes de liquidez. O processo iniciou-se, historicamente, a partir do Governo Thatcher, na Inglaterra (1979), influenciando o Governo Reagan, nos Estados Unidos, o qual absorveu o neoliberalismo vindo da Inglaterra e consolidado no fim dos anos 80 com a queda da União Soviética e a conseqüente eliminação do risco político do capitalismo financeiro.
Pergunta: Não é o neoliberalismo, porém, um fenômeno natural do atual ciclo histórico?
André Araújo: O neoliberalismo não é uma verdade científica, mas uma grosseira ideologia de dominação política. A roupagem acadêmica de fenômeno inevitável é apenas a moldura para um fato do campo da "Realpolitik", ou seja, do jogo pesado das relações internacionais. É muito mais Política do que Economia.
Pergunta: Todavia, não é impossível, a um país, a não-participação da globalização?
André Araújo: O que se chama globalização é, na verdade, uma política dos grandes países com moedas conversíveis (o G-7) , para obrigar todos os outros - mais fracos economicamente - a abrirem seus mercados de bens e serviços, principalmente na área financeira. A forma da participação de cada país depende da força e consistência de sua liderança política. Quatro grandes países continentais têm massa crítica para ditar suas próprias regras de inserção no processo de globalização, ou se preferirem, para manter sua integridade de fronteiras fechadas, pois podem crescer a partir de seu mercado interno. São eles a Rússia, a China, a Índia e o Brasil.
Pergunta: Então a abertura econômica não traz o crescimento?
André Araújo: Essa é a mercadoria vendida pelos neoliberais, mas nunca será entregue. A abertura dos mercados ao sistema financeiro internacional tem sido um desastre total àqueles países que mais se abriram: Argentina, Indonésia, Equador, Brasil e Peru. Salvaram-se, com altas taxas de crescimento, os que preservaram seu controle sobre o câmbio e sobre o comércio exterior , ou sejam, a Índia e a China. A prova dos nove do sucesso das políticas econômicas é o crescimento do P.I.B. A segunda prova é o bem estar social e a distribuição de renda. Por essas medidas, as aberturas de mercado são desastres históricos. O Plano Real reduziu o P.I.B. de US$ 800 bilhões, em 1994, para US$ 530 bilhões, em 2001. Ao mesmo tempo, a dívida externa triplicou, a interna aumentou dez vezes e o patrimônio público foi quase todo vendido. Poucas vezes a história econômica registrou desastre maior. Ao basear toda a economia no setor externo, o Plano Real alienou a capacidade decisória do Estado Brasileiro e neutralizou sua elite empresarial - hoje sócia menor do capitalismo financeiro do hemisfério norte.
Pergunta: A expressão mercados soberanos significa que o mercado está acima dos Estados Nacionais?
André Araújo: Não. O mercado financeiro é hoje adulado e incensado pelos países que optaram pela cartilha neoliberal, mas ele não está acima dos Estados Nacionais do Grupo dos Sete, dos quais os mercados dependem para sua projeção internacional. O mercado só é forte porque, na sua retaguarda, garantindo seus investimentos, está o poder político e militar dos Estados Unidos e da OTAN. , A Wall Street jamais desafiou o núcleo central de poder político dos Estados Unidos, a quem sempre obedeceu - o Federal Reserve, o Departamento do Tesouro e o Pentágono. Dizer que a Wall Street é independente, em relação ao Governo dos Estados Unidos, é como certos economistas brasileiros dizerem que o FMI é uma grande cooperativa onde todos os países são sócios, omitindo que o Tesouro Americano controla totalmente as decisões desse órgão , no qual os interesses americanos têm precedência sobre quaisquer outras considerações. Os mercados são soberanos, portanto, em relação aos países sem liderança política e que se colocaram sob seu poder ; mas, não estão acima dos grandes Estados Nacionais, os quais continuam tão fortes como sempre foram.
Pergunta: Qual a relação existente entre Mercados soberanos e seus outros livros?
André Araújo: O objetivo que une e dá continuidade à série, iniciada em 1991, é o debate do pensamento econômico fora do circuito dos economistas. No Brasil, nestes últimos dez anos, a discussão de temas econômicos fechou-se dentro de um núcleo restrito de profissionais - a maioria deles pertencente à corrente majoritária, dita do pensamento único, ou seja, do neoliberalismo globalizante. Isso é um grave erro dos meios acadêmicos e da imprensa. A economia interessa à toda sociedade e deve ser debatida como um fenômeno político, e não técnico, pois é muito mais importante analisar a correlação da economia com o futuro do País do que fazer uma abordagem exclusivamente financeira, que é exatamente o que hoje se faz nos meios de comunicação, e, ainda assim, de forma superficial e repetitiva. As idéias econômicas devem ser vistas a partir de suas raízes sociais e políticas. É isso o que meus livros tentam mostrar. E é somente dessa forma que a economia pode ser compreendida.

 http://www.alfaomega.com.br/escola.php

Tá nas páginas... do JB e do Estadão

Eis aí uma boa matéria para leitura e constatação da verdade: 


Onde está a crise financeira e econômica ?




O País cresce ,distribui renda como nunca e tem um dos menores níveis de desemprego do mundo e da história do país,apesar de hoje estar em 6 % o nível de desemprego ,é um dos menores índices de desemprego no país.

http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/07/26/brasil-cresce-mais-que-a-maioria-dos-outros-paises/ Brasil cresce mais que a maioria dos países.

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,desemprego-chega-a-58-em-abril-o-menor-para-o-mes-na-historia,154471,0.htm Desemprego em Abril foi o menor da história do mês.

Esse "xoque" vai sobrar pra nós!!!...

Quando os tucanos falam em "xoque de jestão" - que poderia mesmo ser um choque de gestão - acabam sempre fazendo o manjado discurso neoliberal de cortar benefícios e serviços ao cidadão... 

Por isso estas nossas Minas, dominadas pelos Aécins da vida e Anastazias de plantão, começam a se preocupar com as notícias que os dois emplumados tucanos preparam seu novo "xoque"...

Com certeza vai sobrar pra gente.

Governador anuncia reestruturação administrativa que proporcionará economia de R$ 1,1 bilhão a Minas 

Da Agência Minas

Medidas incluem extinção de secretarias de Estado e de cargos de confiança e de alto escalão. Até o final de 2013, despesas de custeio serão reduzidas em 13%
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, anunciou nesta quarta-feira (31), no Palácio da Liberdade, um abrangente conjunto de medidas administrativas para a redução de custos e a racionalização da máquina pública estadual. As iniciativas – que incluem, dentre outras, a extinção e a fusão de secretarias e órgãos públicos, a redução de cargos de confiança e da frota de veículos, além da proibição de viagens e da contratação de consultorias – proporcionarão uma economia de R$ 365 milhões para o Estado em 2013 e 2014.
Além disso, será feita uma revisão das despesas de custeio do Estado para 2014, o que possibilitará uma economia adicional estimada em R$ 700 milhões, totalizando uma redução de gastos de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. A estimativa é de que, de agosto até dezembro de 2013, os gastos de custeio do Estado serão reduzidas em R$ 105 milhões, o equivalente a 13% do total de despesas de custeio com recursos do Tesouro Estadual previstas para o período.

Apesar dos tucanos começarem a notícia com a ineficaz "extinção de secretarias e cargos em comissão, sublinhamos os trechos que falam em "despesas de custeio", isto é: demissão de funcionários, entre eles professores e servidores essenciais aos serviços estaduais...

De feitiços e feiticeiros...




Paulo Moreira Leite comenta em seu Blog na IstoÉ: 

Feitiço contra feiticeiros no STF

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo de rever seus votos no julgamento do mensalão

Às vésperas da retomada do julgamento da Ação Penal 470, quando o STF irá examinar os recursos dos 25 condenados, o ambiente no tribunal é descrito da seguinte forma por Felipe Recondo e Debora Bergamasco, repórteres do Estado de S. Paulo, com transito entre os ministros: 
“(...) há ministros que se mostram ‘arrependidos de seus votos’ por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (...) é que esses mesmos ministros não veem nenhuma brecha para um recuo neste momento. O dilema entre os que acham que foram duros demais nas sentenças é encontrar um meio termo entre rever parte do voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”
 
Pois é, meus amigos. 
 
Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo. Não sabem como “encontrar um meio termo entre rever parte de seu voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”
 
É preocupante e escandaloso. 
 
Não faltam motivos muito razoáveis para um exame atento de recursos. Sabe-se hoje que provas que poderiam ajudar os réus não foram exibidas ao plenário em tempo certo. Alguns acusados foram condenados pela nova lei de combate à corrupção, que sequer estava em vigor quando os fatos ocorreram – o que é um despropósito jurídico. Em nome de uma jurisprudência lançada à última hora num tribunal brasileiro, considerou-se que era razoável “flexibilizar as provas” para confirmar condenações, atropelando o direito à ampla defesa, indispensável em Direito. Centenas de supressões realizadas pelos ministros no momento em que colocavam seus votos no papel, longe das câmaras de TV, mostram que há diferença entre o que se disse e o que se escreveu. 
 
O próprio Joaquim Barbosa suprimiu silenciosamente uma denúncia de propina que formulou de viva voz, informação errada que ajudou a reforçar a condenação de um dos réus, sendo acolhida e reapresentada por outros ministros. 
 
Eu pergunto se é justo, razoável – e mesmo decente – sufocar esse debate. Claro que não é. 
É perigoso e antidemocrático, embora seja possível encher a boca e dizer que tudo o que os réus pretendem é ganhar tempo, fazer chicana. Numa palavra, garantir a própria impunidade. 
 
Na verdade estamos assistindo ao processo em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. E aí é preciso perguntar pelo papel daquelas instituições responsáveis pela comunicação entre os poderes públicos e a sociedade – os jornais, revistas, a TV. 
 
O tratamento parcial dos meios de comunicação, que jamais se deram ao trabalho de fazer um exame isento de provas e argumentos da acusação e da defesa, ajudou a criar um clima de agressividade e intolerância contra toda dissidência e toda pergunta inconveniente.
 
Os réus foram criminalizados previamente, como parte de uma campanha geral para criminalizar o regime democrático depois que nos últimos anos ele passou a ser utilizado pelos mais pobres, pelos eternamente excluídos, pelos que pareciam danados pela Terra, para conseguir alguns benefícios – modestos, mas reais -- que sempre foram negados e eram vistos como utopia e sonho infantil. 
 
(A prova de que se queria criminalizar o sistema, e não corrigir seus defeitos, foi confirmada pelo esforço recente para sufocar toda iniciativa de reforma política, vamos combinar.)
 
No mundo inteiro, os tribunais de exceção consistem, justamente, num espetáculo onde a mobilização é usada para condicionar a decisão dos ministros. 
 
“Morte aos cães!”, berravam os promotores dos processos de Moscou, empregados por Stalin para eliminar adversários e dissidentes. 
 
Em 1792, no Terror da Revolução Francesa, os acusados eram condenados sumariamente e guilhotinados em seguida, abrindo uma etapa histórica conhecida como Termidor, que levou à redução de direitos democráticos e restauração da monarquia. 
 
No Brasil de 2013, a pergunta é se os ministros vão se render ao medo.
 

ô trenzão besta, sô...

Bob Fernandes é editor do Portal Terra. Ambos insuspeitos de qualquer simpatia pelo PT. Bob por sua história jornalística e destaque nos meios editoriais brasileiros. O Portal por sua própria origem na Telefónica de España... 

Por isso, é bastante crível a historinha que o Terra Magazine publica hoje: 

Escândalo de R$ 425 milhões: o “Trenzão” do PSDB

 
O Movimento Passe Livre centra sua luta na questão dos transportes públicos. E por isso deverá voltar às ruas a 14 de agosto. Volta por conta de uma denúncia: ao longo dos últimos 20 anos, num esquema de cartel, com superfaturamento e corrupção, governos do PSDB em São Paulo teriam lesado os cofres públicos em R$ 425 milhões.
 
O esquema teria sido montado para vencer concorrências na área de metrô e trens. Com envolvimento de políticos e funcionários públicos de governos do PSDB paulista.
 
A investigação nasceu da devassa feita, no exterior, em duas multinacionais do setor: a francesa Alstom e a alemã Siemens. Com confissão de ex-funcionários, na justiça. Por lá já tem gente demitida e presa.
 
A Alstom aponta distribuição de US$ 6,8 milhões para integrantes do tucanato paulista entre 1998 e 2001. Um ex-funcionário da Siemens revelou: de outro contrato superfaturado, algo como R$ 46 milhões seguiram para gente do PSDB. 
 
(Tema de capa na última edição da revista Isto É, nº 2.280, e de reportagem do Jornal da Gazeta na segunda, 19)
 
No Brasil, a denúncia é fruto de acordo feito pela Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em troca a multinacional ganha imunidade cível e criminal.
 
O uso do futuro do pretérito composto -teria, teriam, seriam- é uma imposição elementar do jornalismo. Isso são denúncias. Denúncias sobre o que seria um propinoduto tucano, mas não são fatos já julgados.
 
Será preciso, via ministério público e Justiça, investigar e apontar quem é culpado e quem é inocente.
 
É claro que isso terá desdobramentos na política; o chamado "mensalão" do PT, por exemplo, está em cartaz há 9 anos.
 
O que não se deve esperar é o mesmo empenho, a mesma gana e, principalmente, o mesmo barulho. 
 
Cinco mil dólares na cueca de um petista é algo espetacular. Ir ao banco com carteira de identidade e receber R$ 20 mil ou R$ 50 mil de um "por fora" é também espetacular; porque além de ser crime, é rudimentar e é hilário enquanto método.
 
Tudo isso e muito, muito mais, alimentou o espetáculo do "mensalão". E o problema aí é do PT, que se enfiou nessa porque quis. 
 
Mas admitamos o agora: R$ 425 milhões, com multinacionais, superfaturamento e corrupção é também enredo espetacular. Este, do PSDB.
 
A diferença está, estará na disposição de se ir ou não a fundo nesse "trenzão" tucano. No investigar, noticiar e reverberar até a punição para quem a mereça. 
 
No Brasil tem os escândalos que existem. E tem escândalos que não se quer que existam mesmo que existam. Para estes reserva-se o habitual estrondoso silêncio.
 
A propósito de tudo isso recordemos o que disse Paulo Vieira de Souza, que depôs na CPI da Delta/Cachoeira no ano passado. Em entrevista à Revista Piaui, o ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) paulista escancarou, numa pergunta que continha a resposta: 
 
- Por que a CPI proibiu abrir as contas do eixo Rio-São Paulo? Porque se abrir, cai o Brasil.
 
Palavras de quem é do ramo.

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E aí cabe um pequeno comentário: por "apenas" 50 mil satanizaram o João Paulo Cunha...