Blog do Comendador Phyntias - Notas, comentários e crítica sobre o Brasil de hoje
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
A farsa da nossa "justissa"...
Do "Diário do Centro do Mundo" com imagens dos melhores "memes" do Power Point que vai trazer a redenção ao BraZil

O show de Deltan Dallagnol na denúncia contra Lula teve como ápices uma confissão e uma apresentação em power point que resumem a tibieza dos argumentos.
Com um discurso recheado de chavões vazios, copiados de colunistas de direita, absolutamente político, o líder da força tarefa da Lava Jato, que apresenta em igrejas evangélicas suas soluções para a corrupção, falou que Lula é “o grande general que determinou a realização e a continuidade da prática dos crimes”.
É também o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado no petrolão”. Fazendo uma conta de chegada o esquema na Petrobras movimentou 6,2 bilhões de reais em propinas.
Lula estava, diz ele, “no topo da pirâmide do poder”.
A fim de aparecer para as câmeras e, quem sabe, ganhar uma palavra dicionarizada como “petralha”, tudo era parte de “um quadro muito maior chamado “propinocracia”.
O ex-presidente “escolhia os nomes para os altos cargos do governo” e “é o verdadeiro maestro desta orquestra criminosa”.
No diagrama vagabundo que faria corar o gerente de marketing das Casas Tamakavy, várias bolinhas com setas apoiadas para um círculo com o nome de Lula foram preenchidas com expressões como “reação de Lula” (!?).
O powerpoint rendeu uma série de paródias muito boas e muito mais reveladoras do que o original. Depois de seu solo de guitarra, com ampla cobertura da TV, ele finalmente foi ao que interessa quando respondeu a um jornalista na coletiva: “Não temos como provar. Mas temos convicção”.
Espera um pouco.
Transformaram o Brasil no Paraguai. O golpe chega a seu real objetivo. A derrubada de Dilma era um pit stop. Trata-se de tirar Lula da disputa de 2018.

A que ponto chegou a nossa "justissa"...
“Não temos provas, mas convicção”: o powerpoint de Dallagnol nos jogou de vez no Paraguai
O show de Deltan Dallagnol na denúncia contra Lula teve como ápices uma confissão e uma apresentação em power point que resumem a tibieza dos argumentos.
Com um discurso recheado de chavões vazios, copiados de colunistas de direita, absolutamente político, o líder da força tarefa da Lava Jato, que apresenta em igrejas evangélicas suas soluções para a corrupção, falou que Lula é “o grande general que determinou a realização e a continuidade da prática dos crimes”.
É também o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado no petrolão”. Fazendo uma conta de chegada o esquema na Petrobras movimentou 6,2 bilhões de reais em propinas.
Lula estava, diz ele, “no topo da pirâmide do poder”.
A fim de aparecer para as câmeras e, quem sabe, ganhar uma palavra dicionarizada como “petralha”, tudo era parte de “um quadro muito maior chamado “propinocracia”.
O ex-presidente “escolhia os nomes para os altos cargos do governo” e “é o verdadeiro maestro desta orquestra criminosa”.
No diagrama vagabundo que faria corar o gerente de marketing das Casas Tamakavy, várias bolinhas com setas apoiadas para um círculo com o nome de Lula foram preenchidas com expressões como “reação de Lula” (!?).
O powerpoint rendeu uma série de paródias muito boas e muito mais reveladoras do que o original. Depois de seu solo de guitarra, com ampla cobertura da TV, ele finalmente foi ao que interessa quando respondeu a um jornalista na coletiva: “Não temos como provar. Mas temos convicção”.
Espera um pouco.
Transformaram o Brasil no Paraguai. O golpe chega a seu real objetivo. A derrubada de Dilma era um pit stop. Trata-se de tirar Lula da disputa de 2018.
A que ponto chegou a nossa "justissa"...
O obreiro Dalagnol e o Power Point...
O show midiático produzido pelos santos pregadores e procuradores federais em Curitiba na tarde desta quarta feira, acabou por viralizar na rede e mostra a quantas anda a credibilidade dos missionários do Ministério Público Federal que, incentivados pelo discurso - o mais inflamado durante a posse da Ministro Carmem Lúcia na Presidência do STF, feito pelo chefe em Brasilia o "Janóte" - como o chama acertadamente o senador Fernando Collor - resolveram dar mais um espetáculo com o showzinhos vespertino.
Depois da apresentação do Power Point e nenhuma prova, fica a certeza de que a Rede Globo de Televisão vai contratar com bons salários toda a equipe da "força sapeca" da Lava Jato para a redação de seu mais novo programa, para substituir o Zorra Total...
Não deu outra: na rede viralizaram as novas versões do Power Point e a melhor delas foi exibida até pela Globo News:
Agora é esperar pelo complemento do golpe que deixou claro que o alvo era depor Dilma e centrar fogo em Lula o chefão que se beneficiou da "propinocracia" de dois pedalinhos e um barco de lata...
Agora é esperar que a Rede do Bispo também entre na dispouta da equipe de criação fantástica de enredo de besteirol televisivo para aumentar o cahcê dos pregadores-promotores.
E viva o Paraguay!!!!!!!!!!!!!!
ARAGÃO DENUNCIA JANOT: GOLPISTA!!!
Um documento para a História: a Carta Aberta de Eugênio Aragão a Rodrigo Janot:
Crítico
dos métodos que são utilizados pela Operação Lava Jato e da maneira
como o procurador-geral da República Rodrigo Janot lida com o assunto, o
subprocurador da República Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça de
Dilma Rousseff e outrora amigo pessoal de Janot, “vestiu a carapuça”
(usando sua própria expressão) diante do discurso que o chefe da PGR fez
no Supremo Tribunal Federal (STF) durante a posse da ministra Carmem
Lúcia na presidência daquela corte.
A resposta ao ex-amigo, veio em forma de Carta Aberta que Aragão repassou com exclusividade ao nosso Blog. Para muitos, pode ser entendido como uma lavagem de roupa suja. Mas, quem perceber direito, verificará que se trata de um documento Histórico, com H maiúsculo.
Uma carta corajosa, na qual Aragão, sem medo das incompreensões que deverá sofrer, relata fatos que vivenciou ou protagonizou na nossa jovem democracia. Ele faz revelações importantes, como os almoços e jantares que Janot ofereceu,em sua casa, a José Genoino, com quem mantinha afinidade nas conversas e no trato.
Revela as críticas que seu colega, antes de chegar ao cargo de procurador-geral da República, fazia aos seus antecessores, principalmente pelo comportamento durante o chamado processo do Mensalão. Conta as articulações que fez para conseguir a nomeação do amigo, entendendo que ele seria
Lembro-me, também, de nossa inconformação solidária contra as injustiças perpetradas na Ação Penal 470 contra NOSSO (grifo do original) amigo José Genoíno.
Mas, vamos em frente.
Em 2013, quando o Senhor se encontrava meio que no ostracismo
funcional porque ousara concorrer com o Doutor Gurgel, disse-me que
voltaria a concorrer para PGR e, desta vez, para valer.
Incluía, até mesmo, o pai da importação xinguelingue ( Gíria paulista: produto barato que vem da China, geralmente de baixíssima qualidade) da teoria do domínio do fato, elaborado por Claus Roxin no seu original, mas completamente deturpada na Pindorama, para se transmutar em teoria de responsabilidade penal objetiva.
Esse artigo, reproduzido no Congresso em Foco, com o título “Ministério Público na Encruzilhada: Parceiro entre Sociedade e Estado ou Adversário implacável da Governabilidade?”, quando tornado público, foi alvo de síncopes corporativas na rede de discussão @Membros.
(N.R. A PEC 37, derrotada na Câmara em junho de 2013, determinava que o poder de investigação criminal seria exclusivo das polícias federal e civis, retirando esta atribuição de alguns órgãos e, sobretudo, do Ministério Público (MP).
Não foi por outro motivo que, quando me deu a opção, preferi ocupar a
Vice-Procuradoria-Geral Eleitoral a ocupar a Vice-Procuradoria-Geral da
República que, a meu ver, tinha que ser destinada à Doutora Ela Wiecko
Volkmer de Castilho, por deter, também, expressiva liderança na casa e
contar com boa articulação com o movimento das mulheres. Este foi um
conselho meu que o Senhor prontamente atendeu, ainda antes de ser
escolhido.
Eu não tenho medo de assumir que participei desses contatos. Sempre
afirmei publicamente a extrema injustiça do processo do “Mensalão” no
que toca aos atores políticos do PT. Sempre deixei claro para o Senhor e
para o Ministro Joaquim Barbosa que não aceitava esse método de
exposição de investigados e réus e da adoção de uma transmutação
jabuticaba da teoria do domínio do fato.
Debitava essa circunstância, contudo, à crise da Lava Jato que o Senhor tinha que dominar. As vezes que fui chamado a assinar documentos dessas investigações, em sua ausência, o fiz quase cegamente. Lembrava-me da frase do querido Ministro Marco Aurélio de Mello, “cauda não abana cachorro”.
Fui surpreendido, em março deste ano, com o honroso convite da
senhora Presidenta democraticamente eleita pelos brasileiros, Dilma Vana
Rousseff, para ocupar o cargo de Ministro de Estado da Justiça.
Diferentemente
do Senhor, não fiquei calado diante das diatribes políticas do Senhor
Eduardo Cunha e de seus ex-asseclas, que assaltaram a democracia,
expropriando o voto de 54 milhões de brasileiros, pisoteando-os com seus
sapatinhos de couro alemão importado. Não fui eu que assisti uma
Presidenta inocente ser enxovalhada publicamente como criminosa, não
porque cometeu qualquer crime, mas pelo que representa de avanço social
e, também, por ser mulher.
De Eugênio Aragão a Rodrigo Janot: “Amigo não trai, amigo é crítico sem machucar, amigo é solidário”
Marcelo Auler
A resposta ao ex-amigo, veio em forma de Carta Aberta que Aragão repassou com exclusividade ao nosso Blog. Para muitos, pode ser entendido como uma lavagem de roupa suja. Mas, quem perceber direito, verificará que se trata de um documento Histórico, com H maiúsculo.
Uma carta corajosa, na qual Aragão, sem medo das incompreensões que deverá sofrer, relata fatos que vivenciou ou protagonizou na nossa jovem democracia. Ele faz revelações importantes, como os almoços e jantares que Janot ofereceu,em sua casa, a José Genoino, com quem mantinha afinidade nas conversas e no trato.
Revela as críticas que seu colega, antes de chegar ao cargo de procurador-geral da República, fazia aos seus antecessores, principalmente pelo comportamento durante o chamado processo do Mensalão. Conta as articulações que fez para conseguir a nomeação do amigo, entendendo que ele seria
“um chefe do ministério público enérgico e conhecedor de todas as mazelas da instituição. Sim, tinha-o como o colega no MPF que melhor conhecia a política interna, não só pelos cargos que ocupara, mas sobretudo pelo seu jeitão mineiro e bonachão de conversar com todos, sem deixar de ter lado e ser direto, sincero, às vezes até demais”.Mas também relata, sem entrar em juízo de val,ores e explicar causas, a transformação que teria ocorrido com o colega e chefe, a ponto dele aconselhar a vice-procuradora Ella Wiecko Volkmer de Castilho – que depois Janot demitiu – a não comparecer na posse de Aragão como ministro da Justiça. Ou omitir-se diante do processo de impeachment de Dilma Rousseff sem que o Ministério Público Federal exercesse seu papel de defensor maior do regime democrático (art. 127 da CF) .
A carta, que o blog se orgulha de publicar com Exclusividade, fala por si. A ela.
Sobre a honestidade de quem critica a Lava Jato
Eugênio Aragão
“Praecepta iuris sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere” (Ulpiano)
“Os preceitos do direitos são estes: viver honestamente, não lesar a outrem, dar a cada um o que é seu.” (Ulpiano)
“Disse o Senhor Procurador-Geral da República por ocasião da posse da
nova presidente do STF, Ministra Carmen Lúcia, que se tem “observado
diuturnamente um trabalho desonesto de desconstrução da imagem de
investigadores e de juízes. Atos midiáticos buscam ainda conspurcar o
trabalho sério e isento desenvolvido nas investigações da Lava Jato”.
Aragão
sobre Barbosa: “Batuta Freisleriana”, de Roland Freisler, presidente
estridente do Volksgerichtshof de Hitler, que condenou centenas à
morte. Ele gritava e xingava nas sessões. Humilhava os réus.
Visto a carapuça, Doutor Rodrigo Janot. E
lhe respondo publicamente, por ser esse o único meio que me resta para
defender a honestidade de meu trabalho, posta em dúvida, também
publicamente, pelo Senhor, numa ocasião solene, na qual jamais
alcançaria o direito de resposta.
O Senhor sabe o quanto tenho sido
ostensivamente crítico da forma de agir estrambólica dos agentes do
Estado, perceptível, em maior grau, desde a Ação Penal 470, sob a batuta
freisleriana do Ministro Joaquim Barbosa.
Aliás, antes de ser
procurador-geral, o Senhor compartilhava comigo, em várias conversas
pessoais, minha crítica, dirigida, até mesmo, ao Procurador-Geral da
República de então, Doutor Gurgel. Lembro-me bem de suas opiniões sobre a
falta de noção de oportunidade de Sua Excelência, quando denunciou o
Senador Renan Calheiros em plena campanha à presidência do Senado.
No
relato de Aragão, Janot criticava a falta de noção de oportunidade de
Gurgel ao denunciar Renan Calheiros em plena campanha para eleição da
presidência do Senado.
“Não foi uma só vez que o Senhor contou que seus antecessores sabiam da inocência de Genoíno, mas não o retiraram da ação penal porque colocaria em risco o castelo teórico do “Mensalão”, como empreitada de uma quadrilha, da qual esse nosso amigo tinha que fazer parte, para completar o número”.
Por sinal, conheci José Genoíno em seu
apartamento, na Asa Sul, quando o Senhor e eu dirigíamos em parceria a
Escola Superior do Ministério Público da União. Àquela ocasião, já era
investigado, senão denunciado, por Doutor Antônio Fernando.
Janot,
conforme explica Aragão na carta, tinha consciência da inocência de
José Genoino com quem conversava e até oferecia almoços e jantares que o
próprio Janot cozinhava em sua casa.
Admirei a sua coragem, Doutor Rodrigo, de
não se deixar intimidar pelos arroubos midiáticos e jurisdicionais
vindas do Excelso Sodalício. Com José Genoíno travamos interessantes
debates sobre o futuro do País, sobre a necessidade de construção de um
pensamento estratégico com a parceria do ministério público.
Cá para nós, Doutor Rodrigo Janot, o Senhor jamais poderia se surpreender com meu modo de pensar e de agir, para chamá-lo de desonesto. O Senhor me conhece há alguns anos e até me confere o irônico apelido de “Arengão”, por saber que não fujo ao conflito quando pressinto injustiça no ar. Compartilhei esse pressentimento de injustiça com o Senhor, já quando era procurador-geral e eu seu vice, no Tribunal Superior Eleitoral.Tornou-se, esse político, então, mais do que um parceiro, um amigo, digno de ser recebido reiteradamente em seu lar, para se deliciar com sua arte culinária. De minha parte, como não sou tão bom cozinheiro quanto o Senhor, preferia encontrar, com frequência, Genoíno, com muito gosto e admiração pela pessoa simples e reta que se me revelava cada vez mais, no restaurante árabe do Hotel das Nações, onde ele se hospedava. Era nosso point.
Compartilhei meus receios sobre os desastrosos efeitos da Lava Jato sobre a economia do País e sobre a destruição inevitável de setores estratégicos que detinham insubstituível ativo tecnológico para o desenvolvimento do Brasil. Da última vez que o abordei sobre esse assunto, em sua casa, o Senhor desqualificou qualquer esforço para salvar a indústria da construção civil, sugerindo-me que não deveria me meter nisso, porque a Lava Jato era “muito maior” do que nós.Mas continuemos no flash-back.
Tinha-o como um amigo, companheiro, camarada. Amigo não trai, amigo é crítico sem machucar, amigo é solidário e sempre tem um ouvido para as angústias do outro.Lutamos juntos, em 2009, para que Lula indicasse Wagner Gonçalves procurador-geral, cada um com seus meios. Os meus eram os contatos sólidos que tinha no governo pelo meu modo de pensar, muito próximo ao projeto nacional que se desenvolvia e que fui conhecendo em profundidade quando coordenador da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão da PGR, que cuidava da defesa do patrimônio público.
Aragão
e Janot frustraram-se quando Lula reconduziu Antônio Fernando à frente
da PGR. Depois do mandato, o ex-procurador-geral advogou para Eduardo
Cunha.
Ficamos frustrados quando, de última hora, Lula, seguindo conselhos equivocados, decidiu reconduzir o Doutor Antônio Fernando.
Em 2011, tentamos de novo, desta vez com sua candidatura contra Gurgel para PGR.
Na verdade, sabíamos que se
tratava apenas de um laboratório de ensaio, pois, com o clamor público
induzido pelos arroubos da mídia e os chiliques televisivos do relator
da Ação Penal 470, poucas seriam as chances de, agora Dilma, deixar de
indicar o Doutor Gurgel, candidato de Antônio Fernando, ao cargo de
procurador-geral.
Ainda assim, levei a missão a sério. Fui atrás de meus contatos no
Planalto, defendi seu nome com todo meu ardor e consegui, até, convencer
alguns, mas não suficientes para virar o jogo.Mas, vamos em frente.
Aragão pediu ajuda ao “amigo-irmão há 30 anos” – Sigmaringa Seixas para que Janot fosse nomeado procurador-geral da República.
Era, eu, Corregedor-Geral do MPF e, com muito cuidado, me meti na empreitada. Procurei o Doutor Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, meu amigo-irmão há quase trinta anos, e pedi seu apoio a sua causa.Procurei conhecidos do PT em São Paulo, conversei com ministros do STF com quem tinha contatos pessoais. Enquanto isso, o Senhor foi fazendo sua campanha Brasil afora, contando com o apoio de um grupo de procuradores e procuradoras que, diga-se de passagem, na disputa com Gurgel tinham ficado, em sua maioria, com ele.
Incluía, até mesmo, o pai da importação xinguelingue ( Gíria paulista: produto barato que vem da China, geralmente de baixíssima qualidade) da teoria do domínio do fato, elaborado por Claus Roxin no seu original, mas completamente deturpada na Pindorama, para se transmutar em teoria de responsabilidade penal objetiva.
Achava essa mistura de apoiadores um tanto estranha, pois eu, que fazia o trabalho de viabilizar externamente seu nome, nada tinha em comum com essa turma em termos de visão sobre o ministério público.Como o Senhor sabe, no início de 2012, publiquei, numa obra em “homenagem” ao então Vice-Presidente da República, Michel Temer, um artigo extremamente polêmico sobre as mutações disfuncionais por que o ministério público vinha passando.
Esse artigo, reproduzido no Congresso em Foco, com o título “Ministério Público na Encruzilhada: Parceiro entre Sociedade e Estado ou Adversário implacável da Governabilidade?”, quando tornado público, foi alvo de síncopes corporativas na rede de discussão @Membros.
Faltaram querer me linchar, porque nossa casa não é democrática. Ela se rege por um princípio de omertà muito próprio das sociedades secretas. Mas não me deixei intimidar.Depois, ainda em 2013, publiquei outro artigo, em crítica feroz ao movimento corporativo-rueiro contra a PEC 37, também no Congresso em Foco, com o título “Derrota da PEC 37: a apropriação corporativa dos movimentos de rua no Brasil”.
(N.R. A PEC 37, derrotada na Câmara em junho de 2013, determinava que o poder de investigação criminal seria exclusivo das polícias federal e civis, retirando esta atribuição de alguns órgãos e, sobretudo, do Ministério Público (MP).
Aragão
sobre a escolha do procurador-geral em lista tríplice: “Sempre achei
esse método de escolha do chefe da instituição um grande equívoco dos
governos Lula e Dilma”
Sua turma de apoio me qualificou de
insano, por escrever isso em plena campanha eleitoral do Senhor. Só que
se esqueceram que meu compromisso nunca foi com eles e com o esforço
corporativo de indicar o Procurador-Geral da República por lista
tríplice.Sempre achei esse método de escolha do chefe da instituição um grande equívoco dos governos Lula e Dilma.
Meu compromisso era com sua
indicação para o cargo, porque acreditava na sua liderança na casa, para
mudar a cultura do risco exibicionista de muitos colegas, que afetava
enormemente a qualidade de governança do País.
No seu caso, pensava, a coincidência de poder ser o mais votado pela
corporação e de ter a qualidade da sensibilidade para com a política
extra-institucional, era conveniente, até porque a seu lado, poderia
colaborar para manter um ambiente de parceria com o governo e os atores
políticos.
Aragão:
a indicação de Ella Wiecko como vice-procuradora-geral da República
“foi um conselho meu que o senhor acatou, ainda na campanha”.
Naqueles dias, a escolha da Presidenta da República para o cargo de procurador-geral estava entre o Senhor e a Doutora Ela, pendendo mais para a segunda, por ser mulher e ter tido contato pessoal com a Presidenta, que a admirava e continua admirando muito.Ademais, Doutora Ela contava com o apoio do Advogado-Geral da União, Doutor Luís Inácio Adams. Brigando pelo Senhor estávamos nós, atuando sobre o então Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e o amigo Luiz Carlos Sigmaringa Seixas.
Aragão
buscou o apoio de José Eduardo Cardozo e Ricardo Lewandowski para a
nomeação da Janot por Dilma. – foto: Gil Ferreira/Agência CNJ
Quando ouvimos boatos de que a mensagem ao
Senado, com a indicação da Doutora Ela, estava já na Casa Civil para
ser assinada, imediatamente agi, procurando o Ministro Ricardo
Lewandowski, que, após recebê-lo, contatou a Presidenta para recomendar
seu nome.
No dia em que o Senhor foi chamado para
conversar com a Presidenta, fui consultado pelo Ministro da Justiça e
pelo Advogado-Geral da União, pedindo que confirmasse, ou não, que seu
nome era o melhor. Confirmei, em ambos os contatos telefônicos.
Da primeira precisou de suporte para receber seus estrondosos 800 e tantos votos e, de mim, para se viabilizar num mundo em que o Senhor era um estranho. Diante do meu receio de que essa química poderia não funcionar, o Senhor me acalmou, dizendo que nós nos consultaríamos em tudo, inclusive no que se tinha a fazer na execução do julgado da Ação Penal 470, que, a essa altura, já estava prestes a transitar.Na verdade, para se tornar Procurador-Geral da República, o Senhor teve que fazer alianças contraditórias, já que não aceitaria ser nomeado fora do método de escolha corporativista.Acendeu velas para dois demônios que não tinham qualquer afinidade entre si: a corporação e eu.
O dia de sua posse foi, para mim, um momento de vitória. Não uma vitória pessoal, mas uma vitória do Estado Democrático de Direito que, agora, teria um chefe do ministério público enérgico e conhecedor de todas as mazelas da instituição. Sim, tinha-o como o colega no MPF que melhor conhecia a política interna, não só pelos cargos que ocupara, mas sobretudo pelo seu jeitão mineiro e bonachão de conversar com todos, sem deixar de ter lado e ser direto, sincero, às vezes até demais.Seu déficit em conhecimento do ambiente externo seria suprido com o exercício do cargo e poderia, eu, se chamado, auxiliá-lo, assim como Wagner Gonçalves ou Claudio Fonteles.
Meu susto se deu já no primeiro mês de seu exercício como procurador-geral. Pediu, sem qualquer explicação ou conversa prévia com o parceiro de que tanto precisou para chegar lá, a prisão de José Genoíno. E isso poucos meses depois de ele ter estado com o Senhor como amigo in pectore.
Aragão
a Janot: “como José Genoino foi reiteradamente comensal em sua casa,
nada custava, em último caso, dar-se por suspeito e transferir a tarefa
do pedido a outro colega menos vinculado afetivamente, não acha?”
Defendi José Genoíno sempre, porque, para mim, não tem essa de abrir seu coração (e no seu caso, a sua casa) a um amigo e depois tratá-lo como um fora da lei, sabendo-o inocente.
Tentei superar o choque, mas confesso que nunca engoli essa iniciativa do Senhor.
Acaso achasse necessário fazê-lo, deveria ter buscado convencer as pessoas às quais, antes, expressou posição oposta. E, depois, como José Genoino foi reiteradamente comensal em sua casa, nada custava, em último caso, dar-se por suspeito e transferir a tarefa do pedido a outro colega menos vinculado afetivamente, não acha?
Como nosso projeto para o País era maior do
que minha dor pela injustiça, busquei assimilar a punhalada e seguir em
frente, sabendo que, para terceiros, o Senhor se referia a mim como
pessoa que não podia ser envolvida nesse caso, por não ter isenção.
E não seria mesmo envolvido. Nunca quis herdar a condução da Ação Penal 470, para mim viciada ab ovo,
e nunca sonhei com seu cargo. Sempre fui de uma lealdade canina para
com o Senhor e insistia em convencer, a mim mesmo, que sua atitude foi
por imposição das circunstâncias. Uma situação de “duress”, como diriam os juristas anglo-saxônicos.
Mas chegou o ano 2014 e, com ele, a
operação Lava Jato e a campanha eleitoral. Dois enormes desafios.
Enquanto, por lealdade e subordinação, nenhuma posição processual
relevante era deixada de lhe ser comunicada no âmbito do ministério
público eleitoral, no que diz respeito à Lava Jato nada me diziam, nem
era consultado.
O Senhor preferiu formar uma dupla com seu chefe de gabinete, Eduardo Pelella, que tudo sabia e em tudo se metia e, por isso, chamado carinhosamente de “Posto Ipiranga”. Era seu direito e, também por isso, jamais o questionei a respeito, ainda que me lembrasse das conversas ante-officium de que sempre nos consultaríamos sobre o que era estratégico para a casa.
Passei a perceber, aos poucos, que minha
distância, sediado que estava fora do prédio, no Tribunal Superior
Eleitoral, era conveniente para o Senhor e para seu grupo que tomava
todas as decisões no tocante à guerra política que se avizinhava.
Não quis, contudo, constrangê-lo. Tinha uma
excelente equipe no TSE. Fazia um time de primeira com os colegas Luiz
Carlos Santos Gonçalves, João Heliofar, Ana Paula Mantovani Siqueira e
Ângelo Goulart e o apoio inestimável de Roberto Alcântara, como chefe de
gabinete. Não faltavam problemas a serem resolvidos numa das campanhas
mais agressivas da história política do Brasil. Entendi que meu papel
era garantir que ninguém fosse crucificado perante o eleitorado com
ajuda do ministério público e, daí, resolvemos, de comum acordo, que
minha atuação seria de intervenção mínima, afim de garantir o princípio
da par conditio candidatorum.
Aragão
a Janot, sem citar Gilmar Mendes: “Tive que enfrentar sozinho a ira
desmedida do vice-presidente do tribunal contra o PT e sua candidata,
questionando, sempre por escrito, eventuais atos que pudessem indicar
assimetria de tratamento”. Foto: Dorivan Marinho/SCO/ST
Quando alguma posição a ser tomada era
controversa, sempre a submeti ao Senhor e lhe pedi reiteradamente que
tivesse mais presença nesse cenário. Fiquei plantado em Brasília o tempo
todo, na posição de bombeiro, evitando que o fogo da campanha chegasse
ao judiciário e incendiasse a corte e o MPE. As estatísticas são claras.
Não houve nenhum ponto fora da curva no tratamento dos contendentes.
Diferentemente do que o Senhor me afirmou,
nunca tive briga pessoal com o então vice-presidente do TSE. Minha
postura de rejeição de atitudes que não dignificavam a magistratura era
institucional.
E, agora, que Sua Excelência vem publicamente admoestá-lo na condução das investigações da Lava Jato, imagino, suas duras reações na mídia também não revelam um conflito pessoal, mas, sim, institucional. Estou certo? Portanto, nisso estamos no mesmo barco, ainda que por razões diferentes.Passada a eleição, abrindo-se o “terceiro turno”, com o processo de prestação de contas da Presidenta Dilma Rousseff que não queria e continua não querendo transitar em julgado apesar de aprovado à unanimidade pelo TSE e com as ações de investigação judicial e de impugnação de mandato eleitoral manejadas pelo PSDB, comecei, pela primeira vez, a sentir falta de apoio.
Debitava essa circunstância, contudo, à crise da Lava Jato que o Senhor tinha que dominar. As vezes que fui chamado a assinar documentos dessas investigações, em sua ausência, o fiz quase cegamente. Lembrava-me da frase do querido Ministro Marco Aurélio de Mello, “cauda não abana cachorro”.
Não me acho mais santo do que ninguém para
jogar pedra em quem quer que seja. Meu trabalho persecutório se resume à
subsunção de fatos à hipótese legal e não à desqualificação de Fulano
ou Beltrano, que estão passando por uma provação do destino pelo qual
não tive que passar e, por conseguinte, não estou em condições de julgar
espiritualmente.
Faço um esforço de me colocar mentalmente no lugar deles, para tentar
entender melhor sua conduta e especular sobre como eu teria agido.
Talvez nem sempre mais virtuosamente e algumas vezes, quiçá, mais
viciadamente.Investigados e réus não são troféus a serem expostos e não são “meliantes” a serem conduzidos pelas ruas da vila “de baraço e pregão” (apud Livro V das Ordenações Filipinas). São cidadãos, com defeitos e qualidades, que erraram ao ultrapassar os limites do permissivo legal. E nem por isso deixo de respeitá-los.
Janot
recomendou à vice-procuradora-geral, Ella Wiecko a não comparecer à
posse de Aragão como ministro da Justiça. Foto Palácio do Planalto
Imagino que o Senhor não ficou muito feliz e até recomendou à Doutora Ela Wiecko a não comparecer a minha posse. Aliás, não colocou nenhum esquema do cerimonial de seu gabinete para apoiar os colegas que quisessem participar do ato. Os poucos (e sinceros amigos) que vieram tiveram que se misturar à multidão.A esta altura, nosso contato já era parco e não tinha porque fazer “mimimi” para exigir mais sua atenção. Já estava sentindo que nenhum de nossos compromissos anteriores a sua posse como procurador-geral estavam mais valendo.
O Senhor estava só monologando com sua equipe de inquisidores ministeriais ferozes. Essa é a razão, meu caro amigo Rodrigo Janot, porque não mais o procurei como ministro de forma rotineira. Estive com o Senhor duas vezes apenas, para tratar de assuntos de interesse interinstitucional.
E quando voltei ao Ministério Público Federal, Doutor Rodrigo Janot, não quis mais fazer parte de sua equipe, seja atuando no STF, seja como coordenador de Câmara, como me convidou. Prontamente rejeitei esses convites, porque não tenho afinidade nenhuma com o que está fazendo à frente da Lava Jato e mesmo dentro da instituição, beneficiando um grupo de colaboradores em detrimento da grande maioria de colegas e rezando pela cartilha corporativista ao garantir a universalidade do auxilio moradia concedida por decisão liminar precária.
Na crítica à Lava Jato, entretanto, tenho sido franco e assumido, com risco pessoal de rejeição interna e externa, posições públicas claras contra métodos de extração de informação utilizados, contra vazamentos ilegais de informações e gravações, principalmente em momentos extremamente sensíveis para a sobrevida do governo do qual eu fazia parte, contra o abuso da coerção processual pelo juiz Sérgio Moro, contra o uso da mídia para exposição de pessoas e contra o populismo da campanha pelas 10 medidas, muitas à margem da constituição, propostas por um grupo de procuradores midiáticos que as transformaram, sem qualquer necessidade de forma, em “iniciativa popular”.
Nossa instituição exibe-se, assim, sob a sua liderança, surfando na crise para adquirir musculatura, mesmo que isso custe caro ao Brasil e aos brasileiros.
Aragão
se posiciona “contra o populismo da campanha pelas 10 medidas, muitas à
margem da constituição, propostas por um grupo de procuradores
midiáticos que as transformaram, sem qualquer necessidade de forma, em
“iniciativa popular”.” Foto reprodução.
Vamos falar sobre honestidade, Senhor Procurador-Geral da República.
A palavra consta do brocardo citado no título desta carta aberta.
O Senhor não concorda e não precisa mais concordar com minhas posições críticas à atuação do MPF.
Nem tem necessidade de uma aproximação dialógica. Já não lhe sirvo para mais nada quando se inicia o último ano de seu mandato.
Mas , depois de tudo que lhe disse aqui para refrescar a memória, o Senhor pode até me acusar de sincericídio, mas não mais, pois a honestidade (honestitas), que vem da raiz romana honor, honoris, esta, meu pai, do Sertão do Pajeú, me ensinou a ter desde pequeno. Nunca me omiti e não me omitirei quando minha cidadania exige ação.
Procuro viver com honra e, por isto,
honestamente, educando seis filhos a comer em pratos Duralex, usando
talheres Tramontina e bebendo em copo de requeijão, para serem
brasileiros honrados, dando valor à vida simples.
O Senhor ficou silente, apesar de tudo que
conversamos antes de ser chamado a ser PGR. E ficou aceitando a pilha da
turma que incendiava o País com uma investigação de coleta de prova de
controvertido valor.
Eu sou o que sempre fui, desde menino que
militou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro. E o Senhor? Se o
Senhor era o que está sendo hoje, sinto-me lesado na minha boa fé (alterum non laedere, como fica?). Se não era, o que aconteceu?
“A Lava Jato é maior que nós”?
Esta não pode ser sua desculpa. Tamanho, Senhor Procurador-Geral da República, é muito relativo. A Lava Jato pode ser enorme para quem é pequeno, mas não é para o Senhor, como espero conhecê-lo. Nem pode ser para o seu cargo, que lhe dá a responsabilidade de ser o defensor maior do regime democrático (art. 127 da CF) e, devo-lhe dizer, senti falta de sua atuação questionando a aberta sabotagem à democracia. Por isso o comparei a Pilatos. Não foi para ofendê-lo, mas porque preferiu, como ele, lavar as mãos.
Mas fico por aqui. Enquanto trabalhei consigo, dei-lhe o que lhe
era de direito e o que me era de dever: lealdade, subordinação e
confiança (suum cuique tribuere, não é?). E, a mim, o Senhor
parece também ter dado o que entende ser meu: a acusação de agir
desonestamente. Não fico mais triste. A vida nos ensina a aceitar a dor
como ensinamento. Mas isso lhe prometo: não vou calar minha crítica e,
depois de tudo o que o Senhor conhece de mim, durma com essa.
Um abraço sincero daquele que esteve anos a fio a seu lado,
acreditando consigo num projeto de um Brasil inclusivo, desenvolvido,
economicamente forte e respeitado no seio das nações, com o ministério
público como ativo parceiro nessa empreitada.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
O "meme" da semana
Das páginas do Facebook retiramos este "meme" que, por sua significação, é apontado a publicação da semana:
Com o perdão do mestre Charles Darwin...
Com o perdão do mestre Charles Darwin...
A palavra final...
Em longo, minucioso e correto texto, Mauro Santayana analisa o Brasil de hoje. Nós o consideramos a palavra final de interpretação do Brasil de 2016 e o republicamos da edição no jornal GGN, como registro para a História:

O Brasil e o perigoso jogo da história
Mauro Santayana
(Versão estendida, sem redução para versão impressa)
Embora
muita gente não o veja assim, o afastamento definitivo de Dilma Roussef
da Presidência da República, em votação do Senado, por 61 a 20 votos,
no final de agosto, é apenas mais uma etapa de um processo e de um
embate muito mais sofisticado e complexo, em que está em jogo o controle
do país nos próximos anos.
Desde que chegou ao poder, em 2003, o PT conseguiu a extraordinária
proeza de fazer tudo errado, fazendo, ao mesmo tempo, paradoxalmente,
quase tudo certo.
Livrou o país da dependência externa, pagando a dívida com o FMI, e
acumulando 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, que
transformaram nosso país, de uma nação que passava o penico quando por
aqui chegavam missões do Fundo Monetário Internacional, no que é, hoje -
procurem por mayor treasuries holders no Google - o quarto maior
credor individual externo dos Estados Unidos.
E o fez, ao contrário do que dizem críticos mendazes, sem aumentar a dívida pública.
A Bruta, em 2002, era de 80% e hoje não chega a 70%.
A Líquida era, em 2002, de aproximadamente 60% e hoje está por volta de 35%.
Mas isso não veio ao caso.
Ajudou a criar milhões de empregos, fez milhões de casas populares,
criou o Pronatec, o Ciências Sem Fronteiras e o FIES, fez dezenas de
universidades e escolas técnicas federais e promoveu extraordinários
avanços sociais.
Mas isso não veio ao caso.
Voltou a produzir e a construir, depois de décadas de estagnação e
inatividade, navios, ferrovias - vide aí a Norte-Sul, que já chegou a
Anápolis - gigantescas usinas hidrelétricas (Belo Monte é a terceira
maior do mundo) plataformas e refinarias de petróleo, mísseis ar-ar e de
saturação, tanques, belonaves, submarinos, rifles de assalto,
multiplicou o valor do salário mínimo e da renda per capita em dólares.
Mas isso não veio ao caso.
Porque o Partido dos Trabalhadores foi extraordinariamente
incompetente em explicar, para a opinião pública, o que fez ou o que
estava fazendo.
Se tinha um projeto para o país, e que medidas faziam,
coordenadamente, na economia, nas relações exteriores, na infraestrutura
e na defesa, parte desse projeto.
Em vez de "bandeiras" nacionais, como a do fortalecimento do país no
embate geopolítico com outras nações, que poderiam ter "amarrado" e
explicado a criação do BRICS, os investimentos da Petrobras no pré-sal, a
política para a África e a América Latina do BNDES, o rearmamento das
Forças Armadas, os investimentos em educação e cultura, em um mesmo
discurso, o PT limitou-se a investir em conceitos superficiais e
taticamente frágeis, como, indiretamente, o do mero crescimento
econômico, fachada para as obras do PAC.
Na comunicação, o PT confiou mais na empatia do que na informação.
Mais na intuição, do que no planejamento.
Chamou, para estabelecer sua linha de comunicação, "marqueteiros" sem
nenhuma afinidade com as causas defendidas pelo partido, e sem maior
motivação do que a de acumular fortunas, que se dedicaram a produzir
mensagens açucaradas, estabelecidas segundo uma estratégia eventual,
superficial, voltadas não para um esforço permanente de fortalecimento
institucional da legenda e de seu suposto projeto de nação, mas apenas
para alcançar resultados eleitorais sazonais.
O Partido dos Trabalhadores teve mais de uma década para explicar,
didaticamente, à população, as vantagens da Democracia, seus defeitos e
qualidades, e sua relação de custo-benefício para os povos e as nações.
Não o fez.
Teve o mesmo tempo para estabelecer, institucionalmente, uma linha de
comunicação, que explicasse, primeiro, a que tinha vindo, e os avanços e
conquistas que estava obtendo para o país.
Como, por exemplo, a multiplicação do PIB em mais de quatro vezes, em
dólar, desde o governo FHC - trágicos oito anos em que, segundo o Banco
Mundial, o PIB e a renda per capita em dólares andaram para trás - que
foram simplesmente ignorados.
Poderia ter divulgado, também, os 79 bilhões de dólares de
Investimento Estrangeiro Direto dos últimos 12 meses, ou o aumento do
superavit no comércio exterior, ou o fato de o real ter sido a moeda que
mais se valorizou este ano no mundo, ou o crescimento da valorização do
Bovespa desde o início de 2016, como exemplos de que o diabo não estava
tão feio quanto parecia.
Mas também não o fez.
Sequer em seu discurso de defesa ao Senado - que deveria ter sido
usado também para fazer uma análise do legado do PT para o país - Dilma
Roussef tocou nestes números, para negar a situação de descalabro
nacional imputada de forma permanente ao Partido dos Trabalhadores pela
oposição, os internautas de direita e parte da mídia mais manipuladora e
venal.
O PT dividiu-se, também, quando não deveria, e não estabeleceu uma
estratégia clara, de longo prazo, que pudesse manter em andamento o
projeto - de certa forma intuitivo - que pretendia implementar para o
país.
O partido e suas lideranças foram reiteradamente advertidos de que
ocorreria no Brasil o que aconteceu no Paraguai com Lugo - a presença
aqui da mesma embaixadora norte-americana do golpe paraguaio era
claramente indicativa disso.
De nada adiantou.
De que era preciso estabelecer uma defesa competente do governo e de
seu projeto de país na internet - cujos principais portais foram desde
2013 praticamente abandonados à direita e à extrema-direita enquanto a
esquerda, sem energia para se mobilizar, se recolhia ao monólogo, à
vitimização e à lamentação vazia em grupos fechados e páginas do
Facebook.
De nada adiantou.
Não se deu combate às excrescências que sobraram do governo Fernando
Henrique, justamente no campo da corrupção, com a investigação de uma
infinidade de escândalos anteriores, que poderia ter levado à cadeia
bandidos antigos como os envolvidos agora, por indicação também de
outros partidos, nos problemas da Petrobras.
E erros táticos imperdoáveis - não é possível que personagens como
Dilma e Lindbergh continuem defendendo a Operação Lava-Jato, de público,
em pleno julgamento do impeachment, quando essa operação parcial e
seletiva foi justamente o principal fator na derrubada da Presidente da
República.
Sob o mote de um republicanismo "inclusivo", mas cego, criou-se um
vasto ofidário, mostrando, mais uma vez, que o inferno - o próprio, não o
dos outros - pode estar cheio de boas intenções.
Desse processo, nasceram uma nova classe média e uma plutocracia
egoístas, conservadoras e "meritocráticas", paridas no bojo da expansão
econômica e do "aperfeiçoamento" administrativo, rapidamente entregues,
devido à incompetência estratégica à qual nos referimos antes, de mão
beijada, para adoção institucional pela direita.
Ampliaram-se a autonomia, o poder e as contratações do Ministério
Público e da Polícia Federal, medidas elogiáveis, que poderiam em
princípio funcionar muito bem em um país verdadeiramente democrático,
mas que, no Brasil da desigualdade e da manipulação midiática, levaram à
criação de uma nova casta - majoritariamente conservadora - de
funcionários públicos educados em universidades privadas - também
ideologicamente alinhadas com a direita - com financiamento do FIES e em
cursinhos para concurseiros, que não tem nenhuma visão real do que é o
país, a República ou a História, e acham - ao lado de jovens juízes -
que devem mandar na Nação no lugar dos "políticos" e do povo que os
elege.
Como consequência disso, há, hoje, uma batalha jurídica que está
sendo travada, principalmente, no âmbito do Congresso Nacional, voltada
para a aprovação de leis fascistas - disfarçadas, como sempre ocorre,
historicamente, sob a bandeira da anti-corrupção, que, com a desculpa de
combater a impunidade - em um país em que dezenas de milhares de
presos, em alguns estados, a maioria deles, se encontra detido em
condições animalescas sem julgamento ou acesso a advogado - pretende
alterar a legislação e o código penal para restringir o direito à ampla
defesa consubstanciado na Constituição, no sentido de se permitir a
admissibilidade de provas ilícitas, de se restringir a possibilidade de
se recorrer em liberdade, e de conspurcar os sagrados e civilizados
princípios de que o ônus da prova cabe a quem está acusando e de que
todo ser humano será considerado inocente até que seja efetiva e
inequivocamente provada a sua culpa.
Batalha voltada, também, para expandir o poder corporativo dessa mesma plutocracia e seus muitos privilégios.
Enquanto isso, aguerrida, organizada, fartamente financiada por
fontes brasileiras e do exterior, a direita - "apolítica",
"apartidiária", fascista, violenta, hipócrita - deu, desde o início do
processo de derrubada do PT do governo, um "show" de mobilização.
Colocou milhões de pessoas nas ruas.
E estabeleceu seu domínio sobre os espaços de comentários dos grandes
portais e redes sociais - a imensa maioria das notícias já eram, desde
2013 pelo menos, contra o governo do PT, em um verdadeiro massacre
midiático promovido pelos grandes órgãos de comunicação privados -
estabelecendo uma espécie de discurso único que, embora baseado em
premissas e paradigmas absolumente falsos, se impôs como sagrada verdade
para boa parte da população.
Entre as principais lições dos últimos anos, vai ficar a de que a
História é um perigoso jogo que não permite a presença de amadores.
Enganam-se aqueles que acham que o confronto expõe apenas a direita e
a esquerda, ou o PT e o PSDB - que agora se assenhoreou do PMDB e dos
partidos do baixo clero.
Muito mais grave é a guerra que se desenha - e que já começou, não se
iludam - entre aqueles que atacam a política, os "políticos", a
democracia e o presidencialismo de coalizão - e aqueles que, por
conveniência ou idealismo, serão chamados a mobilizar-se para
defendê-los daqui até 2018 e além.
O futuro da República e da Nação será definido por esse embate.
E é o conjunto de erros e circunstâncias que vivemos até agora, e o
que faremos a partir de agora, que poderá levar, ou não, para o Palácio
do Planalto e o Parlamento, um governo fascista e autoritário em 2019.
Os opositores do PT tiveram com o processo de afastamento de Dilma,
iniciado ainda em 2013, à época da Copa do Mundo, uma vitória de Pirro.
A judicialização da política, a ascensão da Antipolítica e de uma
plutocracia que acredita, piamente, que não precisa de votos, nem de
maior legitimação do que sua condição de concursada para "consertar" o
país e punir vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores,
Presidentes da República, em defesa de "homens de bem" que desfilam com
as cores da bandeira e com uniformes negros de inspiração nazista,
ajudará a sepultar, no lugar de aperfeiçoar, o regime presidencialista
anteriormente vigente, e introduzirá um novo elemento, ilegítimo e
espúrio, no universo político brasileiro, transformando-se em permanente
ameaça para o funcionamento e a essência da Democracia.
Infelizmente, para o país e para a República, a permanência de Dilma
no poder tornou-se, devido à irresponsabilidade da mídia e da oposição -
vide as pautas bomba do ano passado - ao sucesso da estratégia de
fabricação do consentimento levada a cabo pela direita e à incompetência
política do Partido dos Trabalhadores - de tal forma insustentável,
que, se ela voltasse, caminharíamos para uma situação de confronto em
que o fascismo - como ocorreu em 1964, no Brasil, e, mais tarde, no
Chile e na Argentina - ficaria - como já está ficando, de fato - com
todas as armas, e a esquerda, com todas as vítimas.
Nações e pessoas precisam aprender que, às vezes, é preciso saber dar um passo para trás para depois tentar avançar de novo.
É preciso resistir, mas com um projeto claro para o país.
A corajosa defesa do governo Dilma por parte de grandes lideranças
da agricultura e da indústria brasileira, como os senadores Kátia Abreu,
ex-Presidente da Confederação Nacional da Agricultura, e Armando
Monteiro, ex-Presidente da Confederação Nacional da Indústria, mostram
que não é impossível sonhar com uma aliança que una empresários e
trabalhadores nacionalistas em torno de um projeto vigoroso e coordenado
de desenvolvimento, que possa promover o fortalecimento do país, do
ponto de vista econômico, militar e geopolítico - é preciso preservar e
concluir os programas concebidos e iniciados nos últimos anos, como o
dos caças Gripen NG BR, o do submarino atômico nacional, o do cargueiro
multipropósito KC-390, o dos tanques leves Guarani, o projeto de
enriquecimento de urânio da Marinha - e evitar, ao mesmo tempo, a
abjeta entrega de nossas riquezas, como os principais poços do pré-sal,
já descobertos, desenvolvidos e produzindo, aos estrangeiros (até
mesmo a estatais estrangeiras, como estão defendendo, em absurda
contradição, parte de nossos privatistas de plantão).
A costura de uma aliança que evite a subordinação e o caos e a
transformação do país em uma nação fascista, na prática, em pouco mais
de dois anos, deveria ser, daqui pra frente, a primeira missão de todo
cidadão brasileiro - ou ao menos daqueles que tenham um mínimo de
consciência e de informação - neste país assolado pelo ódio e pela
mentira, a hipocrisia e a ignorância.
A divisão da Nação, a crescente radicalização e o isolamento
antidemocrático das forças de esquerda - que devem combater esse
isolamento também internamente e rapidamente se organizar sob outras
legendas e outras condições - a fratura da sociedade nacional; a
desqualificação da política e da democracia; só interessam àqueles que
pretendem consolidar seu domínio sobre o nosso país, evitando que o
Brasil fortaleça sua soberania e a sua sociedade, em todos os aspectos, e
que venha a ocupar o lugar que lhe cabe no mundo, como quinta maior
nação do planeta em população e território.
É preciso costurar uma ampla aliança nacional, que parta,
primeiramente, do centro nacionalista - se não existir, é preciso
criar-se um - suprapartidária, politicamente includente, equilibrada e
conciliatória, que una militares nacionalistas da reserva - e eles
existem, vide o Almirante Othon, por exemplo - empresários como Armando
Monteiro e Kátia Abreu, técnicos e engenheiros desenvolvimentistas,
grandes empresas de capital majoritariamente nacional e os
trabalhadores, começando pelos de grandes estatais como a Petrobras, em
torno de um projeto que possa evitar a descaracterização e a destruição
da Democracia, o estupro das liberdades democráticas e dos direitos
individuais, o pandemônio político einstitucional e a "fascistização"
do país, com a entrega de nossas riquezas e de nosso futuro aos ditames
internacionais.
Vamos fazê-lo?
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Os 54 saruês...
Saruê é um pequeno gambá existente na caatinga nordestina que demonstra extrema violência na sua permanente busca por alimento em ninhos de aves, quintais de casas e onde existe algo que sacie sua permanente fome.
E também nome dado ao "coronel" da novela "Velho Chico" em exibição na Rede Globo onde os autores da trama fazem verdadeiro discurso político para denunciar a corrupção no Congresso e o poder dos coronéis na política do interior do País.
Pois não é que a Folha de S. Paulo, publica uma relação dos votos que já permitem indicar a perda de mandato de Dilma pelos pronunciamentos dos "coronéis" do Senado, verdadeiros saruês pela ganância por cargos e u fedor de golpe, insuportável, que deixam por onde passam.
A injustiça está no fato de que os saruês da caatinga atacam para se alimentar e os saruês do Senado atacam para se locupletar o que deixa em vantagem o pequeno roedor nordestino.
O texto completo pode ser lido no link:
http://www1.folha.uol.com.br/especial/2015/brasil-em-crise/votacao-impeachment/senado-final/
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