A charge
Como sempre, do Bessinha via Brasil! Brasil!
Blog do Comendador Phyntias - Notas, comentários e crítica sobre o Brasil de hoje
| A revista "Veja" tem ligação histórica com o contraventor Carlinhos Cachoeira que pautava colunas e matérias na publicação da famiglia Civita. Agora, o mestre Alberto Dines junta a essa histórica ligação a cascata da revistinha semanal... Daí o título desta postagem. |
Todo preso tem como direito a "proteção contra qualquer forma de sensacionalismo", diz o artigo 41 da Lei de Execução Penal; capa do carro-chefe da Editora Abril quebra princípio da privacidade do condenado no cumprimento de sua pena; precedente é perigoso; "Há setores da imprensa que estão prestando um desserviço cada vez maior à democracia", diz advogado José Roberto Batochio; com a imagem devassada sem qualquer informação em "on" no texto desta semana, José Dirceu é apresentado pela revista como inimigo público número 1 do Brasil há pelo menos dois anos
247 – "Proteção contra qualquer forma de sensacionalismo". Clara e objetiva, a frase está no artigo sobre os direitos dos presos na Lei de Execução Penal, o de número 41. A garantia expressa dá margem para que o feitiço intentado pela revista Veja, com a capa José Dirceu – A Vida na Cadeia, que circula esta semana, se vire contra o feiticeiro - e seus aprendizes.Ao considerar conveniente, o ex-presidente do PT poderá processar a revista pela exposição sensacionalista de sua imagem, com direito a fotos roubadas e nenhuma fonte em "on" – que se apresente com nome e sobrenome – sobre as supostas informações publicadas. Uma disputa que se adianta milionária e conturbada.Nos últimos dois anos, não houve praticamente um mês em que Veja não dedicasse notícia em tom crítico ou jocoso sobre José Dirceu. Ele chegou a ser capa da revista, sempre despontando como um autêntico de inimigo público número 1 – duas vezes no mesmo mês.Num caso rumoroso, que levou um dos repórteres de Veja para uma delegacia na condição de suspeito de crime, Dirceu teve sua privacidade invadida quando residia no Hotel Naoum, em Brasília, e foi alvo de uma câmera escondida que revelava quem o visitava. Numa tentativa de acordo com a camareira do quarto, o jornalista de Veja procurou até mesmo entrar às escondidas no recinto, mas a consciência profissional da camareira impediu e denunciou a manobra.A série de perseguição jornalística a Dirceu, que já resvalara para o campo criminal no assédio à moradia de Dirceu no Naoum, chegou agora ao seu ápice. Preso no Complexo da Papuda, em Brasília, Dirceu contava, legalmente, com o direito à privacidade no cumprimento de sua pena. Isso incluia a inviolabilidade de sua imagem. Ao passar por cima da lei, Veja transmitiu a mensagem que a mídia pode, impunemente, violar a privacidade de qualquer outro preso, em qualquer outro presídio, a qualquer hora."Há setores da imprensa que estão prestando um desserviço cada vez maior à democracia", afirmou ao 247 o advogado José Roberto Batochio.Além do precedente, a capa de Veja que afronta a Lei de Execução Penal tem o claro objetivo de criar o ambiente propício para tirar Dirceu da Papuda e levá-lo a uma prisão de segurança máxima, em nome de supostas mordomias como sanduíches do McDonald´s e os serviços de um podólogo. O golpe da revista sobre seu personagem preferido para o papel de Judas nunca se dera tão embaixo.Visto idealmente como um farol de luz contra o arbítrio, o jornalismo do tipo do praticado por Veja faz as vezes de lanterna útil apenas na descida para as cavernas do autoritarismo.
A rica biografia de Eduardo Cunha, o herói da oposição
Autor: Fernando BritoAndré Singer publica hoje, na Folha, artigo em que não precisa de muito mais de 20 linhas para traçar a história do homem a quem a oposição brasileira deposita suas esperanças de desestabilização do governo Dilma.
Singer foi econômico.
Não mencionou o caso da condenação de um promotor de Justiça, no Rio de Janeiro, por ter falsificado documentos que favoreceriam a absolvição do deputado por irregularidades praticadas quando dirigia a Companhia Estadual de Habitação, no Governo Garotinho.Um caso curiosíssimo, parecido com o da servidora que roubou o processo da Globo. O promotor – Élio Fishberg, sub-procurador-geral de Justiça no Rio – foi condenado a quase quatro anos de cadeia, pena depois substituída por prestação de serviços comunitários e multa.
Vejam que linda a descrição do caso, na página do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro:
“Segundo denúncia do Ministério Público, Elio Fischberg, que era o 2º subprocurador-geral da Justiça na época dos fatos, teria falsificado documentos oficiais do MP, que vieram beneficiar o deputado federal Eduardo Cunha, cliente do escritório de advocacia de Cukier, onde o procurador dava consultoria. Fischberg teria falsificado a assinatura do promotor de Justiça Humberto Dalla Bernardina de Pinho, a qual dava como arquivados três inquéritos civis contra o deputado federal.O procurador também teria falsificado as assinaturas do então procurador-geral da Justiça José Muiños Piñeiro e da procuradora de justiça Elaine Costa da Silva. De posse dessa documentação que lhe foi entregue pelos réus, Cunha juntou cópias ao processo do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que também apurava irregularidades na Cehab, sendo o procedimento também arquivado. Com isso, ele pôde se candidatar a deputado estadual.”
Agora, acompanhe o resto do currículo de Cunha, descrito por Singer, para conhecer melhor o “Jim Jones” do PMDB.Trajetória exemplar
André Singer
Alguns dados biográficos do líder do PMDB, Eduardo Cunha, ajudam a entender a lavada, de 267 a 28, que o governo levou na votação da última terça-feira, quando a Câmara decidiu criar comissão para investigar a Petrobras.Mais de um ano atrás, Janio de Freitas, referência do jornalismo político brasileiro, já advertia que, com a presença de Cunha junto a Renan Calheiros e Henrique Alves no comando do Congresso, Dilma iria ter dificuldades. Na época, o jornalista lembrava que Cunha “é cria de Paulo César Farias, que o pinçou do vácuo para a presidência da então Telerj, telefônica do Rio”. Corria o ano de 1990. Não demoraria muito para que o mandato de Fernando Collor de Mello fosse tragado por denúncias. No epicentro da debacle collorida estava PC Farias.Consta que Cunha aproximou-se do meio evangélico do Rio de Janeiro. Filiado ao PPB (hoje PP), de Paulo Maluf, e com apoio religioso, candidatou-se a deputado estadual em 1994, iniciando uma carreira política própria, o que o levou a ser eleito para a Assembleia Legislativa daquele Estado em 2000, galgando daí a passagem para a Câmara dos Deputados em 2002, sempre pela agremiação malufista.No meio desse caminho, alinhado à direita, nem por isso deixou de participar do governo Garotinho (1999-2002), então no PDT, no Estado do Rio. No entanto, as relações entre ambos depois se deterioraram. Por ocasião da MP dos Portos, alguns meses atrás, os dois ex-colegas de administração travaram carinhoso diálogo no plenário da Câmara, segundo relato de Merval Pereira, de “O Globo”. O ex-governador do Rio disse que a emenda patrocinada por Cunha cheirava mal e tinha motivações escusas. Em resposta, o ex-auxiliar teria se referido a Garotinho como batedor de carteira.Em 2006, Cunha reelegeu-se deputado federal, agora pelo PMDB, sempre com apoio evangélico –em 2010, conseguiu 150 mil votos. A disputa entre Cunha e Dilma vem desde o início do mandato desta, quando, após denúncias em Furnas envolvendo, segundo o “Valor” (25/7/2011), um “grupo ligado” ao deputado, ela nomeou para dirigir a estatal nome fora do círculo de influência do parlamentar carioca.Em 2007, Cunha havia segurado a Medida Provisória que prorrogava a CPMF até Lula nomear indicação sua para a presidência de Furnas. Maior empresa da Eletrobras, com orçamento bilionário e fundo de pensão importante, Furnas é joia muito cobiçada. A perda do controle sobre a estatal explicaria a posição belicosa do comandante do PMDB na Câmara em relação a Dilma.Em resumo, é quase um quarto de século de experiência acumulada em controvertidas matérias republicanas. Convém não subestimar.
Rico é menos taxado no Brasil do que na maioria do G20
Mariana SchreiberDa BBC Brasil em Londres
Itália e Índia têm os maiores impostos do G20
Reclamar dos impostos é hábito comum da elite brasileira. Mas uma comparação internacional mostra que a parcela mais abastada da população não paga tantos tributos assim. Estudos indicam que são justamente os mais pobres que mais contribuem para custear os serviços públicos no país.Levantamento da PricewaterhouseCoopers (PWC) feito com exclusividade para a BBC Brasil revela que o imposto de renda cobrado da classe média alta e dos ricos no Brasil é menor que o praticado na grande maioria dos países do G20 – grupo que reúne as 19 nações de maior economia do mundo mais a União Europeia.A consultoria comparou três faixas de renda anual: 70 mil libras, 150 mil libras e 250 mil libras – renda média mensal de cerca de R$ 23 mil, R$ 50 mil e R$ 83 mil, respectivamente, valores que incorporam mensalmente o 13º salário, no caso dos que o recebem.Nas três comparações, os brasileiros pagam menos imposto de renda do que a maioria dos contribuintes dos 19 países do G20.Nas duas maiores faixas de renda analisadas, o Brasil é o terceiro país de menor alíquota. O contribuinte brasileiro que ganha mensalmente, por exemplo, cerca de R$ 50 mil fica com 74% desse valor após descontar o imposto. Na média dos 19 países, o que resta após o pagamento do imposto é 67,5%.Já na menor faixa analisada, o Brasil é o quarto país que menos taxa a renda, embora nesse caso a distância em relação aos demais diminua. Quem ganha por ano o equivalente a 75 mil libras (cerca de R$ 23 mil por mês), tem renda líquida de 75,5% no Brasil e de 72% na média do G20.As maiores alíquotas são típicas de países europeus, onde há sistemas de bem estar social consolidados, mas estão presentes também em alguns países emergentes.Na Itália, por exemplo, praticamente metade da renda das pessoas de classe média alta ou ricas vai para os cofres públicos. Na Índia, cerca de 40% ou mais, assim como no Reino Unido e na África do Sul, quando consideradas as duas faixas de renda mais altas em análise.O quanto sobra após o imposto de renda (em % da renda bruta)
Países/Renda anual 250.000 libras 150.000 libras
70.000 libras Arábia Saudita 96,9
94,8
91,0
Rússia 87,0
87,0
87,0
Brasil 73,3
73,9
75,4
México 70,6
71,0
72,1
Indonésia 69,8
70,7
73,2
Coréia do Sul 65,8
69,7
79,4
Argentina 65,6
66,0
67,2
Turquia 64,6
64,9
65,7
China 62,1
66,8
75,2
África do Sul 61,8
63,0
65,3
Alemanha 60,6
64,2
71,1
Estados Unidos 60,5
66,2
72,5
Austrália 59,3
63,2
70,9
Japão 58,7
65,4
75,3
Canadá 58,1
61,2
69,7
França 58,1
64,8
72,3
Reino Unido 57,3
60,1
68,0
Índia 54,9
58,5
60,0
Itália 50,6
51,4
54,4
Média do G20 65,0
67,5
71,9
Carga alta
Apesar de a comparação internacional revelar que os brasileiros mais abastados pagam menos imposto de renda, a carga tributária brasileira – ou seja, a relação entre tudo que é arrecadado em tributos e a renda total do país (o PIB) - é mais alta do que a média.Na média do G20, 26% da renda gerada no país vão para os governos por meio de impostos, enquanto no Brasil o índice é de 35%, mostram dados compilados pela Heritage Foundation. No grupo, apenas os países da Europa ocidental têm carga tributária maior – França e Itália são as campeãs, com mais de 40%.O que está por trás do tamanho da carga tributária brasileira é o grande volume de impostos indiretos, ou seja, tributos que incidem sobre produção e comercialização – que no fim das contas são repassados ao consumidor final.Olenike critica 'injustiças tributárias'
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), impostos indiretos representam cerca de 40% da carga tributária brasileira, enquanto os diretos (impostos sobre renda e capital) são 28%. Contribuições previdenciárias são outra parcela relevante.O grande problema é que esses impostos indiretos são iguais para todos e por isso acabam, proporcionalmente, penalizando mais os mais pobres. Por exemplo, o tributo pago quando uma pessoa compra um saco de arroz ou um bilhete de metrô será o mesmo, independentemente de sua renda. Logo, significa uma proporção maior da remuneração de quem ganha menos.O governo taxa mais a produção e o consumo porque esse tipo de tributo é mais fácil de fiscalizar que o cobrado sobre a renda, observa o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, João Eloi Olenike."De tanto se preocupar em combater a sonegação, o governo acaba criando injustiças tributárias", afirma.Concentração de renda
Os governos federal, estaduais e municipais administram juntos uma fatia muito relevante da renda nacional. Por isso, a forma como arrecadam e gastam tem impacto direto na distribuição de renda.
Sistema tributário concentra renda no Brasil
Se por um lado os benefícios sociais e os gastos com saúde e educação públicas contribuem para a redução da desigualdade, o fato do poder público taxar proporcionalmente mais os pobres significa que ao arrecadar os tributos atua no sentido oposto, de concentrar renda.Um estudo de economistas do Ipea e da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, no Brasil, o Índice de Gini – indicador que mede a concentração de renda – sobe após a arrecadação de impostos e recua após os gastos públicos.Segundo estimativas com dados de 2009, o índice era de 0,591, ao se considerar a renda original da população (antes do recebimento de benefícios sociais e tributos). O número recuava para 0,560 após o pagamento de benefícios como aposentadorias, pensões e Bolsa Família, mas subia novamente para 0,565 após considerar o pagamento de tributos.O índice volta a cair após se analisar os impactos dos gastos públicos que mais reduzem a distribuição de renda, as despesas com saúde e educação, já que a maioria dos beneficiários desses serviços são os mais pobres. A partir de dados oficias sobre o uso desses serviços, os economistas estimaram que esses gastos públicos reduziam o índice de Gini para 0,479 em 2009.O saldo geral disso tudo é que, após o governo arrecadar e gastar, a desigualdade de renda caía 19% naquele ano. Mas num país tão desigual, a queda precisa ser maior, afirma Fernado Gaiger, um dos autores da pesquisa: "O tributo tem uma função de coesão social".
Mansueto defende que rico pague mais imposto
Não há boas comparações internacionais recentes disponíveis para a questão, mas um estudo de anos atrás do Banco Mundial, indica que, em países europeus, a queda da desigualdade é de mais de 30% após a intervenção do Estado, mesmo sem se considerar os gastos em saúde e educação.Mudanças nos impostos
Os quatro especialistas ouvidos pela BBC Brasil defenderam a redução dos impostos indiretos, que penalizam mais os pobres, e a elevação da taxação sobre renda, propriedade e herança. "Seria uma questão de justiça tributária", diz o especialista em contas públicas Mansueto Almeida.Gaiger, por exemplo, propõe que haja mais duas alíquotas de Imposto de Renda – uma de 35% para quem ganha por mês entre R$ 6 mil e R$ 13,7 mil e outra de 45% para quem recebe mais que isso.Hoje, a taxa máxima é de 27,5%, para todos que recebem acima de R$ 4.463,81. Muitos não sabem, mas essas alíquotas são "marginais". Ou seja, apenas a parcela da renda acima desse limite é tributado pela alíquota máxima, não a renda toda.Quem ganha mais no Brasil?
111.893 recebem mais de R$ 20 mil por mês
23.554 recebem mais de R$ 45 mil por mês
11.851 recebem mais de R$ 75 mil por mês
Fonte: Censo 2010 (IBGE)
No entanto, os especialistas observam que embora seja justo ter mais alíquotas, isso não tem impacto relevante em termos de arrecadação, porque uma parcela muito pequena da população tem renda dessa magnitude. Segundo o IBGE, apenas 111.893 pessoas em todo o país disseram ao Censo de 2010 receber mais de R$ 20 mil por mês.O mais importante, defendem, é reduzir as possibilidades de descontos no Imposto de Renda. Hoje, por exemplo, é possível abater do imposto devido gastos privados com saúde e educação. Na prática, isso significa que o Estado está subsidiando serviços privados justamente para a parcela da população de maior renda, ou seja, que precisa menos. "É o bolsa rico", diz Gaiger.Para 2014, a previsão é de que a Receita Federal deixará de arrecadar R$ 35,2 bilhões por causas de descontos e isenções desse tipo. Desse total, R$ 10,7 bilhões são deduções de gastos com saúde e R$ 4,1 bilhão de gastos com educação – somados equivalem a 13% do total dos gastos federais previstos para as duas áreas neste ano (R$ 113,6 bilhões).Impostos demais?
Apesar de ser lugar comum criticar o tamanho da carga tributária do Brasil, estudiosos do tema dizem que não há um número ideal."O tamanho da carga tributária é uma escolha da sociedade"
Samuel Pessoa, economista"O tamanho da carga é uma escolha da sociedade. Se as pessoas quiserem serviços públicos universais e benefícios sociais, o recolhimento de impostos terá que ser maior. Se quisermos que o educação e a saúde seja apenas privada, por exemplo, a carga poderá ser menor", observa Samuel Pessoa, da FGV.Na sua avaliação, a discussão mais importante não é a redução da carga tributária, mas mudar sua estrutura e simplificá-la, para diminuir as desigualdades e reduzir os custos das empresas com burocracia.


COXINHA - São seres que quase nunca pensam por si mesmos, por acharem muito desconfortável. Na maior parte, os membros dessa espécie simplesmente repetem o que lhes é dito e, ficam aborrecidos, irritados e agressivos quando expostos à qualquer ponto de vista diferente.